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Já pensou em comer insetos? A tendência chegou para ficar

Para a cultura ocidental, ainda é um pouco estranho falar sobre insetos comestíveis, mas a verdade é que estes trazem benefícios para a saúde, para o ambiente e podem ser a chave para a nossa alimentação no futuro. Com cada vez mais pessoas no mundo, há quem acredite que corremos o risco de não ter alimentos suficientes para todos. E os insetos podem ter um papel muito importante nesta equação. Falámos com a Bastonária da Ordem dos Nutricionistas e com um produtor de insetos em Portugal para sabermos um pouco mais sobre esta tendência.

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Já pensou em comer bolachas, hambúrgueres ou pão feitos de insetos? Se não, pense outra vez. Isto porque os insetos, devido ao seu valor nutricional e à facilidade de produção, começam a ser vistos cada vez mais como parte da alimentação no mundo, incluindo no ocidental. Estes podem ser consumidos transformados em outros produtos, moídos em farinha ou fritos, ou como se de batatas fritas se tratassem.

 

Os insetos são bastante populares em inúmeros países orientais e africanos e aos poucos começam agora a entrar nas culturas ocidentais. E isto acontece devido ao seu baixo custo de produção e impacto ambiental. Ao contrário dos elevados custos económicos e ambientais que a produção pecuária traz, produzir insetos acarreta um menor uso de espaço ou uma menor libertação de gases com efeito de estufa. A produção atual está a colocar muita pressão no mundo.

 

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Por isso, a FAO – Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura alerta para que se encontrem substitutos plausíveis às proteínas animais e uma forma de agricultura mais sustentável. Segundo esta organização, em 2050, a população mundial deverá aumentar para os nove mil milhões de pessoas, forçando a um aumento na produção de alimentos, resultando tal numa pressão ainda maior sobre o meio ambiente.  Preve-se, então, escassez de recursos agrícolas, hídricos, florestais, pesqueiros e de biodiversidade, assim como de nutrientes e de recursos não renováveis.

 

Os insetos surgem assim como a solução. O que os insetos lhe dão pode ser comparado às proteínas que encontramos no peixe e na carne. «Contêm proteínas, vitaminas e aminoácidos de alta qualidade para humanos. Os insetos têm uma alta taxa de conversão de alimentos, por ex. os grilos precisam de seis vezes menos alimento que o gado, quatro vezes menos que os ovinos, e duas vezes menos que os porcos e os frangos de corte para produzir a mesma quantidade de proteína. Além disso, eles emitem menos gases de efeito estufa do que a pecuária convencional. Os insetos podem ser cultivados em lixo orgânico. Portanto, são uma fonte potencial para produção convencional de proteína, seja para consumo humano direto, seja indiretamente em alimentos recompostos», explica a FAO no seu site.

 

Os insetos mais consumidos já pelos humanos são: grilos, lagartas, cigarras, gafanhotos e as larvas de besouro. No que toca ao gosto, consta que as larvas do bicho-da-farinha sabem a avelãs, os gafanhotos a frango e as formigas a citrinos. Por cá, ainda não temos essa experiência.

 

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O movimento na Europa já arrancou

A segunda maior cadeia de supermercados na Suíça, Coop, estreou-se na Europa com a venda de produtos feitos à base de insetos. Os hambúrgueres e as almôndegas foram os primeiros a chegar às prateleiras, em agosto de 2017. O hambúrguer é composto por larvas do bicho-da-farinha, arroz e vegetais, como nabo, aipo e alho-porro, bem como várias especiarias, como orégãos e pimenta. As almôndegas têm na sua composição larvas do bicho-da-farinha, grão-de-bico, cebola, alho, coentros e salsa.

 

Pouco tempo depois, foi a vez da Finlândia se estrear na alimentação à base destes invertebrados.  A empresa finlandesa Fazer Bakeries lançou, em novembro de 2017, o que disse ser o primeiro pão do mundo à base de insetos a ser oferecido aos consumidores em lojas. O pão, feito com farinha de grilos secos, farinha de trigo e sementes, contém mais proteína que o pão de trigo normal. Cada pão contém cerca de 70 grilos e custa 3,99 euros, em comparação com os 2 a 3 euros que um pão de trigo regular custa neste país do norte da Europa. E quem o provou diz que não nota qualquer diferença em relação ao pão convencional. E é rico em proteína. E estes são apenas dois exemplos de uma nova onda que está a entrar na Europa.

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