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Investigadora portuguesa quer reduzir número de mortes por malária

Apesar de atualmente se tratar de uma doença de países tropicais e subtropicais, a malária já esteve presente e é de declaração obrigatória em Portugal. O país regista uma média de 200 casos importados por ano, maioritariamente em portugueses que estiveram nos PALOP. A 20 de agosto, assinala-se o Dia Mundial do Mosquito.

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O Instituto de Investigação em Ciências da Vida e da Saúde (ICVS) da Escola de Medicina da Universidade do Minho está a desenvolver um projeto de investigação, para encontrar novos tratamentos para a malária, uma doença que, em 2018, atingiu 228 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais 405 mil acabaram por morrer, segundo dados da Organização Mundial de Saúde. «O meu objetivo é poder contribuir para a redução do número de casos de morte por malária, em todo o mundo», afirma Isabel Veiga, investigadora do ICVS, responsável pelo projeto.

 

Os estudos desenvolvidos, com enfase na espécie mais mortífera Plasmodium falciparum, vão desde a descoberta e validação de fatores moleculares que levam à falência terapêutica, desenvolvimento de novos fármacos e, até mesmo, ao desenvolvimento de dispositivos diagnósticos para a doença.

 

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«É importante realçar que os números têm vindo a diminuir desde as últimas duas décadas, com mais de um milhão de mortes reportadas no ano 2000. Este decréscimo, muito encorajador, deveu-se, entre outras medidas, ao uso da combinação terapêutica baseada na substância artemisinina. No entanto, é também de salientar que a presente realidade de resistência, reportada em 2008, à composição atualmente utilizada, pode estar a refletir-se no número de casos que temos atualmente, e que tem vindo a manter-se, desde 2015», explica a investigadora, referindo que trabalhar em malária começou por ser uma oportunidade de estágio, que gostou e à qual se tem dedicado ao longo do últimos 16 anos.

 

«A verdade é que esta doença também me agarrou pelo coração, pois afeta maioritariamente crianças, com menos de cinco anos. Tive a oportunidade marcante de presenciar crianças em coma por malária, numa viagem de estudo em Uganda, África, em 2007».

 

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Isabel Veiga lembra, ainda, que Portugal já foi um país de malária e que, apesar de, atualmente, se tratar de uma doença de países tropicais e subtropicais, é de declaração obrigatória no nosso país. Portugal regista uma média de 200 casos importados por ano, maioritariamente em portugueses que estiveram em trabalho nos PALOP. «A malária torna-se assim uma doença com relevância de estudo para o nosso país. Em colaboração com alguns hospitais do Norte, tenho vindo a desenvolver um estudo de marcadores moleculares de resistência dos casos importados.»

 

A malária é uma doença provocada por protozoários do género Plasmodium. O parasita é transmitido através da picada do mosquito (género Anopheles). Uma vez no ser humano, os parasitas vão primeiramente multiplicar-se no fígado, passando posteriormente a infetar os glóbulos vermelhos do sangue. Além de febre, os sintomas da malária são variáveis, sendo os casos mais graves, inclusive morte, causados pela espécie Plasmodium falciparum.

 

 

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