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Informe-se, por favor. Portugal agradece

Num mundo com tanta informação, contrainformação e as chamadas fake news, é preciso um cuidado redobrado no que se consome e partilha. A informação é poder e estar bem informado dá-lhe visão analítica do mundo e capacidade de decisão consciente, seja em que área da vida for. E esse é um dever de todos nós, se queremos uma sociedade adulta a responsável.

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Recentemente, partilhámos um artigo com histórias de pessoas que decidiram abandonar as redes sociais, nomeadamente o Facebook. A principal razão é o cansaço que as pessoas sentem face às notícias falsas que por lá circulam. Há de facto muita informação falsa, mal contada, enviesada, com fins dúbios, provocatória, por essa Internet fora.

 

Por isso, nunca tanto como agora o jornalismo fez tanta falta, para fazer essa curadoria de informação; para separar o trigo do joio. Neste sentido, quando quiser saber de um assunto, escolha fontes credíveis. E fontes credíveis não significa uma página com milhares de seguidores. Muitas destas são páginas de fake news. Veja entidades oficiais e órgãos de comunicação social (OCS) nos quais confia, cá ou no estrangeiro – eu, por exemplo, para além do nacional, vejo jornais e noticiários estrangeiros, especialmente alemães, porque me identifico com a informação plural, objetiva e formal que por lá se faz. Quero apenas que me informem, as análises faço-as eu.

 

O jornalista tem o dever de verificar as fontes e os factos e informar de forma isenta. Infelizmente, a crise no setor tem deitado abaixo a força produtiva e os jornalistas estão debaixo de um fogo cruzado, onde muitas vezes quem morre é o mensageiro. Mas essa continua a ser a sua missão, independentemente das teorias de conspiração muitas vezes tecidas.

 

Posto isto, o que queria aqui mesmo transmitir vem no seguimento de uma inquietude que tenho vindo a sentir devido à observação que gosto de fazer do comportamento humano, a nível micro e em sociedade. A situação é complexa, e livros como ‘Dicionário das Religiões’, de Mircea Eliade’ e ‘Humanos’, de Tom Phillips, têm vindo a ajudar-me a compreender o comportamento particular e de massas. Recomendo vivamente estes dois livros para quem quer perceber o comportamento humano desde quase os seus primórdios.

 

Focando o olhar em Portugal, as pessoas por cá consomem muito futebol e entretenimento, deixando pouco espaço para o consumo de informação noticiosa de temas estruturais para o país e para o mundo. Aqui não se salvam os OCS, que apostam excessivamente nesses conteúdos, numa lógica de que «é o que o público quer». Certo, mas há muito público que quer mais do que futebol e coronavírus até à exaustão. Quer ser informado de forma objetiva e simples sobre múltiplos temas. Há assuntos que são dados lá fora e só dois dias depois são transmitidos num noticiário português… lá para o fim do alinhamento, porque puxaram primeiro pelo futebol e por um ou outro tema mais quente. Fico triste com isto. Deve haver um compromisso entre dar o que querem e dar o que precisam. As notícias devem ser apresentadas de acordo com o impacto dos temas para a maioria das pessoas. E não são as tricas de futebol, seguramente. Não nos esqueçamos de que é preciso informar e formar.

 

A par de uma informação em crise, a oferta  esmagadora de entretenimento online torna difícil fugir a tanto apelo. Quem come um prato de legumes quando tem um hambúrguer com batatas estaladiças como opção? Quem pensa antes de agir, diria. Resultado desta metáfora? Pessoas menos informadas leva a pessoas menos críticas. Temas reduzidos leva a menor capacidade analítica do mundo. Excesso de entretenimento e sensacionalismo leva a pessoas entretidas e comandadas pelo impulso, em vez de pela reação analítica e ponderada.

 

Não é à toa que crescem populismos, se difundem mentiras e as pessoas reagem quase como na teoria de Pavlov – a estímulos imediatos, portanto. Acredita-se no que se lê num qualquer post de Facebook, no que uma figura com muitos seguidores partilha – provavelmente sendo paga para isso – ou no que sai da boca de alguém que diz aquilo que muitos querem ouvir, e que nem ovelhas seguem e partilham sem questionar.

 

Como pessoa que conhece duas culturas, a portuguesa e a alemã, custa-me ver que Portugal continua, na sua essência, a ser o país dos três F (Futebol, Fátima e Fado), andando entretidos, comandados e carregando pesos que também não ousam jogar ao chão, porque é assim e assim se vai andando.

 

A arma para combater tudo isto é a informação e a educação. Já tantos o disseram. Por isso, informe-se. Informação é poder. Antes de partilhar informação, verifique se é uma fonte credível; antes de tomar uma posição, informe-se sobre o que está mesmo em causa para não partilhar incorreções. Elas contagiam quem está à sua volta. Se todos juntos agirmos com mais consciência criaremos seguramente um país melhor. Mais consciente e menos ‘ovelheiro’.

 

 

 

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