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Infeções fúngicas no final da gravidez

No último trimestre da gravidez é bastante frequente a colonização do aparelho genital inferior pela Candida Albicans, podendo acontecer, por vezes, por mecanismos ainda não perfeitamente determinados, uma contaminação intrauterina, que pode originar um aborto espontâneo ou um parto prematuro.

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Contudo consideram-se fatores facilitadores dessa infeção intrauterina: uma patologia debilitante da mãe, a existência de suturas no colo uterino (cerclage), a antibioterapia prolongada, entre outras. Não existe concordância sobre a necessidade de pesquisar invariavelmente a colonização assintomática por este fungo durante a gravidez. Contudo o conhecimento da espécie de Candida em causa ajuda a decidir o risco de doença invasiva e a imprescindibilidade do tratamento.

 

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico é essencialmente clínico e pode ser confirmado laboratorialmente com zaragatoa vaginal, por exame microscópico a fresco e/ou exame cultural (num meio de cultura específico para fungos e leveduras). Se possível, devem ser distinguidas se C. albicans ou não-albicans. Culturas repetidas com a mesma espécie de Candida não-albicans (usualmente Candida glabrata), indica redução da sensibilidade aos agentes antifúngicos. Recordando as manifestações clínicas da candidíase vulvovaginal, já referidas no artigo anterior, elas são:

– Corrimento vaginal branco, grumoso, tipo requeijão e sem cheiro;

– Ardor e comichão vulvovaginal;

– Vermelhidão, edema e fissuras na área genital.

 

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TRATAMENTO

Indicações

1) Apenas mulheres com sintomas. Não é preconizado o tratamento de mulheres assintomáticas. A identificação de Candida num exame cultural numa mulher sem sintomas não deve ser tratada, porque cerca de 10-20% das mulheres têm fungos comensais na vagina.

2) Parceiro sexual sintomático, com balanite. Não é recomendado o tratamento de parceiros sexuais assintomáticos.

 

Atualmente existe um grande número de agentes antimicóticos e quase todos os dias surgem novos compostos químicos e novas formulações dos compostos já existentes.

O esquema de tratamento e a escolha entre a terapêutica por via oral e por via vaginal deve levar em consideração vários fatores: ser uma candidíase não complicada ou complicada; os efeitos secundários; o tratamento do parceiro; a preferência dos pacientes.

 

Voltamos a recordar os conceitos, já abordados no artigo anterior, de candidíase não complicada:

  • infeção esporádica ou pouco frequente
  • Clínica ligeira a moderada
  • C. albicans presumível

 

e candidíase complicada:

  • Recorrente /crónica
  • Clinicamente severa
  • Candidíase não-albicans
  • Mulher imunodeprimida, debilitada ou com diabetes descompensada.

 

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Os esquemas orais e intravaginais são igualmente efetivos, com alívio dos sintomas e culturas negativas em 80-90% das doentes que completam o tratamento e parece existir algum consenso em relação aos seguintes pontos:

– Na infeção aguda, os resultados do tratamento com medicamentos tópicos e orais são semelhantes.

– Nas infeções crónicas/recorrentes o tratamento por via oral é mais adequado.

– Na mulher grávida a medicação oral está contraindicada.

Os medicamentos antimicóticos mais usados são os derivados do imidazol, sobretudo o clotrimazol e o miconazol. Até hoje não foi descrita qualquer anomalia fetal associada á utilização de imidazóis por via tópica, embora do ponto de vista teórico possam existir alguns riscos.

 

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OUTRAS MICOSES

As dermatofitoses ou tinhas são micoses superficiais originadas por fungos com afinidade para as estruturas com queratina, o que lhes permite sobreviver na camada superficial da epiderme, pelos e unhas. Estão agrupadas em três géneros: Epidermophyton, Microsporum e Trichophyton.

 

A apresentação clínica deste grupo de micoses é variada sendo possível observar-se destruição de unhas e cabelos, descamação e erupções com pápulas e vesículas. A contagiosidade é significativa na tinha do couro cabeludo e estas infeções estão normalmente associadas a más condições de higiene.

 

O tratamento das dermatofitoses vai depender da evolução e da localização das lesões. A terapêutica recomendada para as grávidas é a utilização de agentes tópicos (derivados do imidazol, álcool iodado, queratolíticos) e medidas higiénicas.

Como já foi referido, no artigo anterior sobre este tema, existem fungos em certas áreas específicas do mundo que são responsáveis por micoses sistémicas que podem ter especial gravidade na mulher grávida. Nestes casos o diagnóstico precoce e o tratamento apropriado com antifúngicos como a anfotericina B, são fundamentais tanto para a mãe como para o feto.

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