Home»ATUALIDADE»ESPECIALISTAS»Infeções fúngicas e gravidez

Infeções fúngicas e gravidez

A candidíase vulvovaginal é a infeção fúngica mais comum na gravidez e a espécie Candida albicans é a responsável pela grande maioria dos casos. Cerca de 75% das mulheres terão pelo menos um episódio na sua vida e 40-45% terão dois ou mais.

Pinterest Google+

Os fungos são seres vivos eucariotas (cujas células apresentam núcleo individualizado, separado do citoplasma por uma membrana, que o envolve) que precisam de ambientes específicos para sobreviverem, designadamente condições adequadas de humidade, temperatura, nutrientes e formam esporos como forma de resistência às condições adversas do meio ambiente. Estes microrganismos classificam-se, do ponto de vista morfológico em leveduras, bolores e fungos.

 

Existem na água, solo, ar, plantas e animais, nomeadamente na espécie humana. A compreensão do seu ecossistema natural tem relevância, sobretudo quando se procura analisar a epidemiologia e a prevenção de patologias no homem. Existem fungos que estão confinados a certas áreas do mundo, como por exemplo o Histoplasma capsulatum, ao passo que outros têm uma distribuição global, como a Candida albicans e o Cryptococcus neoformans.

 

Em relação ao ser humano estes microorganismos estão numa condição de parasitismo ou de comensalismo (microrganismo que se instala num hospedeiro, à custa do qual vive, sem o prejudicar) e sempre que este equilíbrio é alterado por alguma causa (doença oncológica, diabetes, medicamentos imunossupressores ou citotóxicos) a maioria dos fungos saprófitas passam a ter potencial patogénico, podendo provocar enfermidade.

 

As doenças provocadas pelos fungos classificam-se tipicamente em superficiais (candidíase, dermatofitoses), subcutâneas e sistémicas (histoplasmose, aspergilose).

 

Infeções causadas por Candida albicans

A candidíase vulvovaginal é a infeção fúngica mais comum na gravidez e a espécie Candida albicans é a responsável pela grande maioria dos casos (90%). Os restantes surgem devido a outras espécies de Candida sp. (C. glabrata, C. krusei, C. tropicalis).

 

Cerca de 75% das mulheres terão pelo menos um episódio na sua vida e 40-45% terão dois ou mais. A Candida albicans é normalmente, como anteriormente já referimos, um comensal (microrganismo que se instala num hospedeiro, à custa do qual vive, sem o prejudicar) da pele, do tubo digestivo e da vagina. Existe no aparelho genital em mais de 10% das mulheres saudáveis, podendo a sua prevalência atingir quase 50% em mulheres no último trimestre da gravidez. A Candida também está presente na orofaringe de cerca de 30-55% dos adultos saudáveis e pode ser identificada em perto de 50% da flora habitual das fezes.

 

Este fungo pode causar infeções em quase todos os locais do organismo, podendo estas ser superficiais, afetando a pele e mucosas, como serem sistémicas, sendo estas últimas mais habituais em doentes debilitados/imunodeprimidos ou submetidos a tratamentos médicos e cirúrgicos invasivos.

 

É importante salientar que esta infeção fúngica não é habitualmente transmitida por via sexual. A candidíase vulvovaginal podendo ser assintomática, manifesta-se tipicamente por corrimento vaginal branco, grumoso, tipo requeijão, sem cheiro, acompanhado de ardor e comichão vulvar. A mulher pode ainda apresentar vermelhidão, edema e fissuras na área genital.

Artigo anterior

Maior app de combate ao desperdício alimentar chega a Portugal

Próximo artigo

Faça amigos no trabalho. Conheça os benefícios