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Igualdade em banda desenhada

Ficam aqui duas sugestões de novelas gráficas que exploram a descoberta da homossexualidade, relatam histórias do coming-out, apresentam os desafios da luta pelos direitos LGBT em contextos homofóbicos. As duas novelas, escritas e desenhadas com muito humor, mostram a possibilidade de um dia a procura da igualdade não ter de ser uma questão.

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Os livros podem transformar quem os lê.  A predisposição do leitor para integrar um campo simbólico onde se dispõe a olhar para lá de si mesmo não pode senão desafiar os limites do quotidiano, do conhecimento instituído.

 

É o jogo das possibilidades que o mundo possa ter. Nas palavras de Milan Kundera, “o romance não examina a realidade, mas sim a existência.  E a existência não é o que se passou, a existência é o campo das possibilidades humanas tudo o que o homem pode vir a ser, tudo aquilo de que é capaz”.

 

Ficam aqui duas sugestões de novelas gráficas escritas por mulheres. As duas, com muito humor, mostram a possibilidade de um dia a procura da igualdade não ter de ser uma questão.

 

Alison B Fun-Home‘Fun Home’, uma tragicomédia familiar de Alison Bechdel

Esta é uma autobiografia de Alison Bechdel que põe a nu as dinâmicas da sua família. A mãe descrita como a “fiel Penélope de Odisseu, que tinha cuidado da casa durante vinte anos com um marido mais ou menos ausente”.  O pai, Bruce, visto com alguma excentricidade aos olhos dos filhos, vive mergulhado em clássicos de literatura, é obsessivo com arrumações, e trabalha numa casa mortuária a embalsamar mortos.

 

Bruce morre atropelado aos 44 anos. Quatro meses antes da sua morte, Alison, a sua filha com 19 anos, decide escrever uma carta aos pais a revelar a sua homossexualidade. Com a sua revelação vem também a descoberta da homossexualidade escondida do seu pai.

 

A reflexão de Bechdel acerca da história da sua família e, particularmente, da relação com o seu pai, questiona ironicamente o sentido da vida e as explicações que se procuram para que ela ainda faça mais sentido.

 

Joana Estrela - Propaganda, capa‘Propaganda’, de Joana Estrela

Depois de acabar o ensino superior, Joana Estrela decidiu fazer voluntariado fora de Portugal. Assim chegou à Lituânia para trabalhar durante três meses como voluntária na Organização Não Governamental “Liga Gay da Lituânia”, na cidade de Vilnus, a fim de ajudar a preparar a “Marcha da Igualdade”.

 

O leitor abre um diário de viagem, acompanha a integração da autora na ONG e o dia-a-dia na comunidade gay. O dia-a-dia na comunidade é narrado com a ingenuidade e a curiosidade de quem está a conhecer as pessoas com quem se cruza. Mas a luta da igualdade num país homofóbico não é fácil para o grupo de ativistas. É necessário ainda lutar contra a ideia da homossexualidade como doença, ou contra os media que tentam filtrar a informação a fim de proteger os menores, ou ainda contra os poderes locais que se esforçam para a invisibilidade aos movimentos LGBT. Sem pretensões ou pedagogias, as histórias desembaraçam com humor os preconceitos associados à homossexualidade.

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