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Humana – o negócio da roupa usada

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Quando vi este documentário, que me caiu nas mãos por acaso, jamais pensei que pudesse repudiar algo que via como uma ação de responsabilidade social e ajuda humanitária e que de ‘humana’ nada tem. A reportagem é feita por jornalistas espanhóis, mas a multinacional existe em Portugal, onde tem contentores de recolha de roupa usada, sete lojas em Lisboa e uma no Porto.

 

Perguntam-me desse lado: lojas? Sim, as lojas Humana, onde a roupa em segunda mão, recolhida destes mesmos contentores, é vendida a baixo preço, e, a avaliar pelo documentário que visionei, esconde um esquema de negócio que vai muito além da fraternidade e amor ao próximo que publicitam nos seus ditos estatutos: «A Humana Portugal tem por finalidade a ajuda humanitária internacional em países e comunidades mais carenciadas mediante a implementação de projetos de ajuda e cooperação para o desenvolvimento no âmbito da Educação, Cultura e Assistência».

 

Ora pegando novamente na reportagem e avaliando que ambas têm o mesmo logo e imagem corporativa, seria difícil de acreditar que não pertenceriam ao mesmo grupo, mas a verdade está muito longe de ser o que parece. O fim último, obtido com as verbas conseguidas com a venda de roupa em segunda mão, não parece ser a educação dos mais carenciados, o apoio a crianças vulneráveis, clubes de agricultores e energias renováveis entre outros projetos, mas sim «uma multinacional que esconde milhões de euros de lucro em paraísos fiscais», segundo Mike Durham, jornalista de investigação, que já segue a ONG há bastante tempo, e afirma esta ser «uma estrutura muito bem organizada».

 

Segundo o OCS espanhol ‘La Sexta’, em documentário, «ninguém diria que escondida por detrás de uma imagem de ONG e também Fundação está uma empresa com uma impressionante estrutura e organização financeiras, que conta com centenas de empregados (mais de 300 empregados só em Espanha, num total de três centros)» envolvidos na triagem e organização desta mesma roupa. «Esta não é mais que matéria-prima grátis, para a obtenção de benefícios astronómicos, na ordem dos 85% dos ganhos obtidos» com a venda de roupa usada que todos nós, em alguma altura da nossa vida, deixámos num destes contentores. Segundo David Vásquez, responsável têxtil Humana, entrevistado na reportagem, «o dinheiro obtido com o negócio da roupa usada ronda os 12 milhões de euros».

 

É caso para dizer que até para se ser solidário se tem de ter os olhos bem abertos. Porque, por detrás deste mundo de ações solidárias, esconde-se um mundo muito sujo que nada tem a ver com o apoio aos mais necessitados. Parece que realmente, quando a crise chega, e não apenas aos armários de roupa, aparece também este tipo de empresas escondidas por detrás de imagens limpas de apoio humanitário, cujos objetivos pouco têm de altruísta.

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