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HPV: Um supervilão possível de combater?

Este é o vírus responsável pelo cancro do colo do útero. Mata quase 400 mulheres por ano, em Portugal, mas não só... Também causa doenças graves ao homem, como o cancro do pénis, e também no ânus e orofaringe. Na Semana Europeia de Prevenção do Cancro do Colo do Útero, assinalada entre 20 e 26 de janeiro, a ginecologista obstetra, Paula Ambrósio, explica-nos a situação em Portugal e como vamos alcançar a meta traçada pela OMS.

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Não é todos os dias que nos sentimos orgulhosos de ser portugueses. Habitualmente, passa pelos golos do Cristiano Ronaldo, pelas vitórias do Jorge Jesus ou por algo bem distante da nossa vida real, dos problemas reais. Mas, hoje, tenho boas notícias. Somos um exemplo a nível mundial no que diz respeito à luta contra o HPV (o papilomavírus humano), esse futuro ex-destruidor de vidas. E, sim, provavelmente vamos alcançar a meta traçada pela Organização Mundial de Saúde para erradicar o cancro do colo do útero em 2030.

 

Para os que já não se lembram, este é o vírus responsável pelo cancro do colo do útero. Aquele que mata quase 400 mulheres por ano, em Portugal. Mas não só… Também causa doenças graves no homem, como o cancro do pénis, do ânus e da orofaringe. O cancro da orofaringe aumentou 100% nos últimos anos, nos países desenvolvidos, e metade destes carcinomas é causada pelo HPV. Atenção, nem todos os HPV são cancerígenos, também existem os que causam as incómodas verrugas genitais, com tudo o que isso implica em termos de estigma pessoal e social e tratamentos associados.

 

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Na realidade, todos, ou quase todos, vamos entrar em contacto com o HPV durante as nossas vidas. Sendo um vírus que se transmite através das relações sexuais, é quase certo que nos vamos cruzar com pelo menos um tipo de HPV. Pelo menos um, porque há muitos, uns piores e outros menos maus (como eu costumo dizer, os supervilões e vilões).

 

Já agora, não vão os mais certinhos ficar com a ideia errada, não é preciso uma vida de devassidão ou maus hábitos para se ficar infetado. Na realidade, basta uma vez, se tivermos azar e dermos logo de caras com um bem agressivo. Ainda assim, estar infetado por HPV não significa, necessariamente, que vamos ter uma doença. As infeções são muito frequentes, mas só as persistentes (ou seja, as que o nosso sistema não consegue eliminar) por vírus de alto risco é que têm a capacidade de causar estragos, e apenas se não forem identificadas a tempo.

 

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Desde a primeira infeção até ao aparecimento do cancro, passam-se muitos anos (no caso do cancro do colo, 10 a 20). Se formos ao médico e procurarmos as alterações que podem ser tratadas, conseguimos evitar a doença. É aqui que, no caso do cancro do colo do útero, entram os programas de rastreio. Estes programas permitem, com uma análise muito simples do colo do útero (atualmente fazemos a pesquisa do HPV), identificar as mulheres com risco aumentado de cancro. E são essas que vão ser estudadas e tratadas, se necessário. Mas é preciso ir ao médico, seja no centro de saúde, seja no ginecologista.

 

Portugal tem feito um esforço muito grande para abranger toda a população, mas infelizmente a cobertura ainda não é perfeita. Por outro lado, nem sempre as mulheres percebem a importância do rastreio e nem sempre arranjam tempo na sua agenda para ir ao médico. É preciso mudar esta mentalidade.

 

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