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Homens também sofrem de depressão pós-parto

Quando falamos em depressão pós-parto, pensamos sempre nas mães, mas a verdade é que os pais também podem ficar afetados de alguma forma com o nascimento de uma criança, segundo um novo estudo apresentado na convenção anual da Associação Americana de Psicologia. Porém, os profissionais não estão preparados para identificar o transtorno no elemento masculino.

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Depois do nascimento de uma criança, muitas mães começam a apresentar sintomas que são associados com a depressão pós-parto. Mas segundo um novo estudo divulgado na convenção anual da Associação Americana de Psicologia, que terminou no passado fim de semana em São Francisco, Estados Unidos da América, não são só as mães que podem sofrer de depressão pós-parto. Muitas vezes, os pais também ficam afetados com a chegada de uma nova criança a casa.

 

Até muito recentemente, a saúde mental em torno do parto era percebida como um tópico relevante apenas para as mulheres. Muitos estudos e pesquisas foram realizados sobre este tema, mas muito poucos identificaram taxas de prevalência, causas, consequências e tratamento de problemas de saúde mental em novos pais, que também sentem a chegada do novo membro da família.

 

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«Pesquisas recentes mostraram que cerca de 10% dos novos pais sofrem de depressão pós-parto e até 18% têm algum tipo de transtorno de ansiedade», explicou durante a convenção Dan Singley, do Centro para a Excelência Masculina em São Diego. «Infelizmente, poucos psicólogos recebem um treino focado para identificar, avaliar ou tratar problemas comuns dos homens no período que vai da conceção até um ano ou mais após o parto», explicou o especialista.

 

Esta falta de atenção e dados sobre a saúde mental masculina em parte se deve com o facto de estes não procurarem os serviços de saúde mental. Isto acontece porque ainda existe o paradigma que o homem não deve mostrar qualquer tipo de fraquezas. Só que, tal como as mulheres, os homens também sofrem de depressão pós-parto. «A taxa de incidência de depressão é comparável entre mães e pais novos. A depressão pós-parto não pode mais ser vista como uma variante patológica dos processos reprodutivos femininos. O paradigma existente deve ser modificado», disse Dan Singley.

 

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A depressão pós-parto costuma ser mais associada as mulheres e é atribuída às mudanças físicas únicas que as mulheres experimentam durante a gravidez. Quem também apresentou as suas conclusões sobre este tema foi Sara Rosenquist, do Centro de Psicologia da Saúde Reprodutiva, que explicou que «é altamente improvável que as perturbações hormonais de gravidez e parto expliquem todo o quadro que os pais, incluindo os adotivos, experimentam depressão pós-parto nas mesmas taxas».

 

Os antropólogos observaram que, durante a gestação, os homens costumam apresentar náuseas, azia, dor abdominal, inchaço ou alterações no apetite, sintomas comummente associados a uma gravidez. Também existem evidências, devido a estudos realizados em humanos e em animais, que o contacto próximo com uma mulher grávida pode induzir a um conjunto de alterações hormonais que leva, em alguns homens, ao aparecimento de instintos paternos. Em casos extremos, os homens podem apresentar níveis consideráveis de prolactina (hormona que ajuda as mulheres a produzir leite) ou a uma queda temporária na testosterona.

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