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Hipotiroidismo tem forte prevalência na população portuguesa

Em Portugal, estima-se que um milhão de portugueses sofra de distúrbios da tiroide e, embora as doenças da tiroide sejam muito comuns, mais de 30% dos portugueses desconhecem os sintomas. A 25 de maio, assinala-se o Dia Mundial da Tiroide.

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A tiroide é a glândula que controla o nosso metabolismo e é responsável por regular diferentes funções do corpo através do armazenamento e secreção de hormonas no sangue. Localizada na parte anterior do pescoço, debaixo da laringe que produz hormonas que regulam a temperatura corporal, ajuda o organismo a usar de forma eficiente a energia armazenada e contribui para o normal funcionamento de órgãos como o coração, o cérebro, o fígado e os rins.

 

Uma das doenças da tiroide mais conhecidas é o hipotiroidismo, que apresenta uma forte prevalência na população portuguesa, particularmente nas mulheres. O hipotiroidismo resulta da falta de hormonas tiroideias que condicionam uma diminuição generalizada do metabolismo. A causa mais comum é a Tiroidite de Hashimoto onde o organismo produz anticorpos contra a própria tiroide, prejudicando o seu normal funcionamento.

 

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Principais sintomas

  • Falta de energia
  • Obstipação
  • Aumento da sensibilidade ao frio
  • Pele e cabelo secos
  • Baixa frequência cardíaca
  • Sensação de cansaço permanente
  • Aumento de peso
  • Cãibras e rigidez muscular
  • Queda de cabelo
  • Tendência para depressão

 

Todos os sintomas apresentados devem servir como um sinal de alerta e é aqui que o problema reside. Como são confundidos frequentemente com outras condições benignas o diagnóstico é difícil e tardio. Assim, torna-se cada vez mais importante chegar à população portuguesa e alertar para a importância de reconhecer os sinais.

 

O hipotiroidismo é uma doença resultante da falta das hormonas produzidas na glândula tiroideia. Esta glândula localiza-se no pescoço e é responsável pela produção das hormonas T4 (tiroxina) e T3 (triiodotironina) que têm efeitos em todos os processos metabólicos do nosso corpo. A falta destas hormonas vai ter consequências no crescimento e desenvolvimento, quando ocorre na idade pediátrica, e na regulação do metabolismo em qualquer idade.

 

análise da tiroide

O hipotiroidismo é uma doença comum, estimando-se que a prevalência na população geral é de cerca de 4- 5%, enquanto na população com idade> 65 anos ronda os 10%. A causa mais comum para o aparecimento do hipotiroidismo é a autoimune (tiroidite de Hashimoto), causada por anticorpos circulantes (anti-peroxidase e anti-tiroglobulina) que provocam inflamação e consequente destruição das células da tiroide, podendo ocorrer em qualquer idade.

 

A carência de iodo é outra causa de hipotiroidismo assim como em pessoas que foram submetidas a cirurgia para remoção da tiroide desenvolvem hipotiroidismo e têm que fazer substituição hormonal. Alguns fármacos e produtos ricos em iodo podem provocar hipotiroidismo em pessoas com predisposição.

Em termos de sintomas, as queixas podem envolver todos os órgãos e sistemas do corpo levando a uma lentificação do metabolismo. Numa fase inicial pode passar despercebido e os sintomas podem ser desvalorizados pelo próprio. O sintoma mais comum é o cansaço assim como pele seca e cabelo fraco e sensação de frio. Em termos gastrointestinais a obstipação é um sintoma comum devido a lentificação do trânsito intestinal e em termos neurológicos pode haver alterações cognitivas e tonturas.

 

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Nas mulheres pode levar a irregularidade menstrual e falta de ovulação, podendo ser uma causa de infertilidade. As hormonas tiroideias têm também efeito no metabolismo do colesterol, havendo um aumento do mau colesterol (LDL) que melhora com o tratamento hormonal. Relativamente ao peso, é comum haver um aumento, apesar do doente referir menos apetite. No entanto raramente é a causa de uma obesidade grave. Importa ainda salientar que o hipotiroidismo pode ser um fator de risco para a depressão e por isso deve ser feito o despiste desta patologia quando surgem sintomas como humor deprimido, alterações do sono ou da memória.

 

O diagnóstico é feito com análises de sangue com o doseamento da TSH e da T4 e, com o tratamento, o prognóstico é bom. Geralmente o doente refere grande melhoria dos sintomas pouco tempo após o início da reposição hormonal com levotiroxina. É importante manter um seguimento regular na consulta com a realização dos exames apropriados, já que as doses da hormona variam ao longo da vida e com variações do peso e metabolismo.

 

Existem alguns fatores associados a um risco aumentado para o desenvolvimento de hipotiroidismo devendo estas pessoas fazer uma vigilância, nomeadamente: a presença de doenças autoimunes, como o Lúpus, a artrite reumatoide, a doença celíaca ou o vitiligo; familiares em 1º grau com este tipo de doenças; história de radioterapia da cabeça e pescoço; Trissomia 21; presença de nódulos da tiroide ou história familiar de disfunção tiroideia.

 

Por Filipa Alves Serra

Endocrinologista

 

 

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