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Hiperplasia Benigna da Próstata: uma doença mais habitual e menos conhecida que o cancro da próstata

O tratamento da HBP tem dois pilares fundamentais: os medicamentos e a cirurgia. Ambos têm sofrido notáveis evoluções nos últimos anos. O urologista José Santos Dias explica tudo. O Dia Europeu Das Doenças Da Próstata assinala-se a 15 de setembro.

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A Hiperplasia Benigna da Próstata (HBP) é uma condição caracterizada pelo aumento progressivo do tamanho da próstata, resultado de um aumento da ação de uma hormona sobre a próstata – a testosterona, a “hormona masculina”.

 

Consequentemente, pouco a pouco, a uretra é comprimida, assim surgindo as queixas urinárias. Estas queixas resultam não só da compressão da uretra (que fica com cada vez menor calibre), mas também da resposta da bexiga à obstrução que resulta dessa diminuição de calibre. A bexiga tem de contrair com mais “força”, mais “pressão”, o que resulta num aumento progressivo da espessura da sua parede (a parede da bexiga é constituída por músculo) e alterações, igualmente progressivas, do seu funcionamento, sensibilidade, capacidade, etc.

 

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Queixas provocadas pela HBP

Resultado desta compressão da uretra, os primeiros sinais que os homens que sofrem desta doença se queixam são de jato urinário fraco, demorar muito tempo a urinar, muitas vezes ficando a pingar no final da micção, ter de fazer um grande esforço para urinar, não conseguir esvaziar a bexiga completamente, urinar muito frequentemente, quer de dia quer de noite, ter uma vontade muito súbita, urgente, de urinar (por vezes não conseguindo reter a urina e apresentando perdas de urina), dor ou peso abaixo do umbigo. Se não forem adequadamente tratados, podem mesmo chegar a ficar com a “urina presa” (retenção urinária), tendo por isso de colocar uma algália ou mesmo vir a sofrer de insuficiência renal – os rins podem mesmo deixar de funcionar, em casos mais graves da doença.

 

Como se percebe, estas queixas causam uma grande perturbação na qualidade de vida dos doentes. É fácil imaginar que uma pessoa que acorde 3 ou 4 vezes de noite para urinar não consegue ter um sono descansado e retemperador; o mesmo acontece se perder urina (incontinência), por vezes associada à HBP. São sintomas que perturbam o bem-estar do doente, a sua vida pessoal, profissional, social e de relação.

 

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Ao contrário do que muitas vezes se pensa, esta doença não afeta a sexualidade, a “virilidade” masculina. Os tratamentos e as cirurgias relacionadas com a próstata (geralmente os tratamentos do cancro da próstata, mas também alguns dos tratamentos para o aumento benigno) podem, eles sim, causar problemas de sexualidade, quer relacionadas com a ereção, quer relacionadas com o desejo (“líbido”) e com a ejaculação.

 

A melhoria da qualidade de vida global dos doentes que se obtém com a maior parte dos tratamentos para a HBP permite conseguir também uma melhoria da sexualidade, nos seus diferentes aspetos e vertentes.

 

Tratamento

O tratamento da HBP tem dois pilares fundamentais: os medicamentos e a cirurgia. Ambos têm sofrido notáveis evoluções nos últimos anos.

 

Em relação aos primeiros, surgiram recentemente novos fármacos para o tratamento desta doença e passaram a estar também disponíveis associações de medicamentos diferentes num só comprimido, que permitem um tratamento mais eficaz e adequado a cada doente. Estes avanços constituem uma mais-valia para muitos doentes com HBP, nomeadamente os que apresentam queixas que não são adequadamente controladas com os medicamentos clássicos. Os doentes com um grande aumento da frequência urinária, que urinam muitas vezes de dia e/ou de noite, os doentes com vontade súbita de urinar, por exemplo, podem beneficiar significativamente destas novas formas de tratamento.

 

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Também em relação às técnicas cirúrgicas ocorreu um desenvolvimento significativo nos últimos anos. Cada vez mais se efetuam técnicas pouco invasivas (designadas por “minimamente invasivas”), nomeadamente as que utilizam o laser (os lasers que utilizamos atualmente são completamente diferentes dos que eram utilizados há poucos anos e permitem muito melhores resultados) e formas alternativas de energia. Ao contrário de outras técnicas mais antigas, estas técnicas mais recentes permitem que o tecido prostático não volte a aumentar e causar recidiva das queixas.

 

Por José Santos Dias

Urologista do Hospital de Santa Maria, diretor do Instituto da Próstata e Incontinência Urinária, assistente da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e fellow do European Board of Urology

 

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