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Higiene genital feminina: um guia para as diferentes fases da vida

Vários fatores podem interferir com o bem-estar genital feminino. A atividade sexual, vestuário, estado hormonal e emocional, tipo de alimentação e hábitos de higiene são fatores reconhecidos como importantes para o bem-estar e, em certas situações, causar várias alterações nos genitais.

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Na puberdade, após o início da produção hormonal de estrogénios, inicia-se a proliferação da camada de células do epitélio vaginal que armazenam glicogénio, que permite a migração e fixação dos lactobacilos. Esta alteração conduz ao equilíbrio adequado da flora existente, inibindo o desenvolvimento de várias bactérias como a Gardnerella vaginalis, Mobiluncus e outros anaeróbios. Embora seja considerada patogénica, a Gardnerella pode ser encontrada entre 5 a 60% dos casos na flora vaginal de mulheres saudáveis.

 

Na idade reprodutiva, a mucosa vaginal responde ao ciclo hormonal, apresentando espessura máxima e conteúdo de glicogénio intracelular a meio do ciclo menstrual. No decurso deste, os níveis vaginais de hormonas e de glicogénio variam, mas a espessura da pele vulvar permanece inalterada, assim como, a quantidade de bacilos de Doderlein vaginais que se mantem constante ao longo do ciclo. Na 2º fase do ciclo (fase proliferativa), as espécies não-lactobacilíferas aumentam, enquanto a concentração de Candida albicans é superior mais próximo da menstruação.

 

Normalmente, a mulher tem um pH vaginal ácido e uma flora com predomínio de lactobacilos, mas durante a menstruação vai ocorrer um achatamento celular devido a descamação intensa por ação das alterações hormonais, e quando a pele da vulva entra em contacto com a menstruação surgem alterações da flora microbiológica local. Assim, o fluxo menstrual altera o pH vaginal, tornando-o alcalino, o que permite a de muitos microrganismos. Nesta fase, vão predominar as bactérias anaeróbicas na flora vaginal.

 

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Na gravidez, o epitélio vulvar e vaginal sofre influências hormonais importantes e surge uma maior quantidade de secreção vaginal, alteração do pH e da flora. A concentração dos lactobacilos eleva-se pelo estímulo hormonal, acidificando o meio (pH < 4,5). Quase todas as grávidas referem corrimento vaginal, prurido e ardor em algum momento da gravidez, o que não facilita o diagnóstico e tratamento correto neste período. As infeções genitais persistentes durante a gravidez aumentam o risco de parto pré-termo. A presença de Lactobacillus sp na flora vaginal de mulheres grávidas está associado à diminuição da incidência de partos pré-termo, demonstrando assim a importância destes microrganismos.

 

Nas mulheres no climatério/menopausa, o pH e flora vaginais tornam-se parecidos ao da infância, pois existe um declínio da produção hormonal, com atrofia e achatamento das camadas celulares da mucosa vaginal, tornando-se difícil a manutenção do pH e flora vaginal ideais. Nesta fase da vida a colonização pela Escherichia coli (“colibacilo”) é maior devido à deficiência de estrogénios, não estando necessariamente associada à atividade sexual. Por outro lado, a presença de lactobacilos é mais prevalente nas mulheres que realizam terapêutica hormonal de substituição.

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