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Grupo de Trabalho Orcas Atlânticas alerta para cuidados a ter com orcas em nova época de aproximação à costa

Em 2020 foram registadas várias interações atípicas de orcas com embarcações, desde a Galiza, passando pela costa portuguesa e até ao Estreito de Gibraltar, resultando em danos para alguns barcos que se viram impedidos de navegar. As orcas do Estreito de Gibraltar são consideradas uma subpopulação que habita na costa da Península Ibérica na primavera e no verão, onde perseguem os atuns rabilho na sua incursão no Mediterrâneo.

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Na altura em que se inicia a época de aproximação das orcas ao estreito de Gibraltar, o Grupo de Trabalho Orcas Atlânticas (GTOA), coordenado pelo CEMMA – Coordenador de Estudos de Mamíferos Marinhos, sedeado na Galiza, alerta para os cuidados a ter em caso de aproximação.

 

Em 2020 foram registadas várias interações atípicas de orcas com embarcações, desde a Galiza, passando pela costa portuguesa e até ao Estreito de Gibraltar, resultando em danos para alguns barcos que se viram impedidos de navegar, nomeadamente por as orcas terem danificado os lemes.

 

Após as primeiras interações, em 2020, o GTOA recolheu informações detalhadas, inspecionando os barcos, avaliando os danos, e recolhendo depoimentos e informações juntos dos tripulantes, que também fizeram em vídeos e tiraram fotografias das interações.

 

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As interações começaram no Estreito de Gibraltar, em julho de 2020, depois ocorreram no sul de Portugal, subindo de seguida toda a costa portuguesa até chegarem à Galiza, onde as interações se concentraram no mês de setembro. Posteriormente, a as interações voltaram a ser registadas em Portugal, em outubro, mas menos concentradas, até que as últimas interações foram registadas em novembro na zona de Sines.

 

As orcas do Estreito de Gibraltar são consideradas uma subpopulação que habita na costa da Península Ibérica na primavera e no verão, onde perseguem os atuns rabilho na sua incursão no Mediterrâneo. São consideradas uma subpopulação de orcas, cujos parentes mais próximos serão indivíduos observados esporadicamente nas águas das Ilhas Canárias e que estarão geneticamente isolados de indivíduos que habitam as águas norueguesas e islandesas. São normalmente observados a passar pela costa algarvia, costa centro de Portugal e também na Galiza. As orcas ibéricas são animais protegidos.

 

Depois de o GTOA ter analisado toda a informação recolhida, desenvolveu um protocolo de ação para os navegadores em caso de se verem perante uma interação.

 

O que fazer em caso de interação:

– PARE o barco, desça as velas e deixe o leme solto, se as condições do mar e localizações permitirem.

– Contacte as autoridades (pelo telefone 112 ou pela rádio no canal 16)

– Tire as mãos do volante e fique longe de qualquer parte do barco que possa cair ou virar bruscamente.

– Não grite com os animais, não toque neles com nada e nem lhes atire coisas. Não se deixe ver excessivamente.

– Se você tiver um telefone com câmara ou outro dispositivo, grave os animais, especialmente as suas barbatanas dorsais, para serem identificados.

– Só depois de algum tempo de não sentir sente pressão no leme é que deverá verificar se ele vira e funciona.

– Se notar alguma falha que impeça a navegação, solicite um reboque.

– Informações básicas a serem levadas pelas autoridades:

o Nome do barco

o Data / hora

o Detalhes de contato (número de telefone / e-mail)

o Posição (GPS / aprox.)

 

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Estas recomendações foram enviadas à guarda costeira e às autoridades locais. O GTOA irá continuar a monitorizar a evolução das interações, pois continuam a acontecer, comunicando o plano de ação e destacando que estamos perante uma espécie em extinção, que é legalmente protegida. O GTOA recorda que pescamos em excesso a sua principal presa, o atum-rabilho, e que ocupamos o seu habitat principal com os nossos barcos, pelo que uma boa prática pode permitir reduzir o risco para marinheiros e orcas.

 

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