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Gravidez e infeção por Streptococcus do grupo B

O Streptococcus β hemolítico do Grupo B de Lancefield (SGB) ou Streptococcus agalactiae é identificado desde os anos 70 como o causador da maioria da morbilidade e mortalidade perinatal.

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Para a prevenção desta infeção é importante dar-se relevância à presença de exames bacteriológicos com culturas de urina positivas para o SBG, porque mesmo com um pequeno número de colónias elas podem significar uma ampla colonização da grávida, e consequentemente maior risco de rotura prematura de membranas e parto pré-termo, bem como de   contaminação fetal.

 

Estão descritas taxas de infeção grave do recém-nascido entre 0,1 a 3 /1000 nados vivos e um dos aspetos mais pertinentes relacionados com a infeção pelo SGB é que apenas 1-2% dos RN das gestantes colonizadas vão desenvolver infeção. Nesta perspetiva tentou-se encontrar quais eram os principais fatores de risco para infeção do feto e que são: parto antes das 37 semanas, rotura prematura de membranas, colonização materna intensa, diabetes, infeção urinária materna por SGB, e o fator de risco mais determinante a presença de corioamnionite (traduzida por febre, taquicardia e contrações uterinas), que ocorre mais frequentemente quando existe uma rotura prolongada das membranas (≥18 horas).

 

O SGB é o causador de cerca de 20 % das endometrites pós-parto e bacteriémias pós-cesariana e de perto de 30% das bacteriúrias na gravidez. A infeção por esta bactéria está associada regularmente a infeção por Candida Albicans e apresenta-se na maioria das vezes sem sintomas, mas quando sintomática tem uma boa resposta aos antibióticos, todavia podem surgir complicações sérias, como endocardites, meningites e abcessos intra-abdominais.

 

Patogenia

Quando o Streptococcus do Grupo B se instala na vagina duma mulher grávida, as bactérias têm a possibilidade de alcançar o líquido amniótico, podendo ou não levar à rutura de membranas. Consequentemente o feto pode inalar ou absorver as bactérias ou substâncias por elas produzidas, que vão afetar o seu pulmão e originar alterações nos vasos, hipertensão pulmonar e por fim choque cardiovascular.

As infeções do RN podem ser de 2 categorias:

– Instalação precoce (primeiros 7 dias de vida)

– Instalação tardia (depois dos primeiros 7 dias)

 

Nas infeções de instalação precoce o tempo médio da sua manifestação situa-se entre 18 e 22h, e a taxa de mortalidade em cerca de 15 %. Na infeção que ocorre após os primeiros 7 dias, apenas metade dos recém-nascidos foram infetados no canal de parto, sendo os demais contaminados pela mãe (contacto diário) e pelo meio ambiente e pessoas que os rodeiam.

 

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