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Gravidez e infeção por Streptococcus do grupo B

O Streptococcus β hemolítico do Grupo B de Lancefield (SGB) ou Streptococcus agalactiae é identificado desde os anos 70 como o causador da maioria da morbilidade e mortalidade perinatal.

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Os Streptococcus são bactérias gram-positivas, com formas esféricas ou ovóides, que crescem aos pares (diplococos) ou em cadeias, existindo mais de vinte espécies deste género. É Pasteur nos finais do século XIX que identifica pela primeira vez estes agentes infeciosos, mas é Rebeca Lancefield em 1930 que preconiza a sua classificação em grupos (A,B,C, etc) segundo a estrutura e propriedades da sua parede celular.

 

O Streptococcus β hemolítico do Grupo B de Lancefield (SGB) ou Streptococcus agalactiae é identificado desde os anos 70 como o causador da maioria da morbilidade e mortalidade perinatal, sendo sem dúvida alguma o agente mais comum de infeção perinatal materna e de infeção neonatal precoce.

 

No recém-nascido (RN) pode ser responsável por infeção generalizada ou localizada, infeção esta que na maioria dos casos manifesta-se na primeira semana de vida (geralmente antes das 72 horas), mas que pode ser mais tardia (entre a primeira e a quarta semanas de vida). Na gestante pode originar infeção do aparelho urinário, do líquido amniótico (amnionite), da mucosa do útero (endometrite) e bacteriémia (presença de bactérias no sangue).

 

Epidemiologia

O Streptococcus do Grupo B de Lancefield (SGB) é um elemento da flora gastrointestinal da mulher, sendo capaz de colonizar de forma intermitente, crónica ou transitória o reto, a vagina e o trato urinário.

 

Calcula-se que 10 a 30% das mulheres adultas são portadoras de SGB e cerca 20% (5-40%) das grávidas estão colonizadas por este agente. Estudos comprovaram que a colonização da vagina e do reto é mais comum que a das vias urinárias e do colo uterino.

 

A colonização materna intraparto é o mais relevante fator de risco para doença neonatal precoce. A transmissão vertical mãe-filho, que é a principal causa desta forma de doença, ocorre sobretudo após o início do trabalho de parto ou da rotura de membranas, sendo o recém-nascido infetado no útero materno ou durante a passagem pelo canal de parto. Vários estudos mostraram que perto de 70% das crianças de mães colonizadas pelo SGB foram colonizadas à nascença.

 

Um obstáculo à contenção da infeção no feto deve-se à frequência das infeções maternas assintomáticas, as quais, todavia podem apresentar-se com quadros clínicos de corioamnionite (com contrações uterinas, febre e taquicardia), de endometrite, pielonefrite e cistite.

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