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Graffiti no feminino

São jovens, bonitas e com formação superior. São mulheres das artes que sentem o apelo da rua para deixarem a sua marca à vista de todos. Elas fazem graffiti e começam já a ser reconhecidas na arte urbana. Apresentamos-lhe a Tamara Alves, a The Super Van e a Glam.

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São reconhecidas pelas suas tags, os nomes com que assinam os graffitis, mas cada uma imprime um cunho pessoal que as distingue de entre a variedade de intervenções que se vêem nas ruas. Em Lisboa, e não só…

 

A Tamara Alves, que assina com o próprio nome, gosta de trabalhar dualidades, contrastes, como a fraqueza e a força, a vida e a morte. O tigre é uma presença constante nas suas peças – tem inclusive um tatuado no braço – assim como a representação real de corações. A Vanessa Teodoro, aka The Super Van, cria figuras femininas fortes e complexas e costuma incorporar bocas nos seus trabalhos. E a Catarina Monteiro, aka Glam, faz sobretudo letring e adora adorna-lo com elementos femininos e infantis como nuvens e passarinhos.

 

Mas a força da mulher está lá, nas suas diferentes facetas, em todas elas. «As mulheres estão a começar a ter mais credibilidade e a mostrar que são capazes. Ainda somos poucas, mas cada vez há mais», diz Tamara. A Vanessa concorda: «Ainda não está como devia estar. Não está sequer ao nível de outros países, mas um dia de cada vez…»

 

A força do tigre

A Tamara, 29 anos, cresceu a mexer em tintas no Algarve, onde os pais pintores têm uma galeria de arte. E desde cedo teve liberdade para dar largas à sua imaginação. Aos 14 anos, o pai ofereceu-lhe a sua primeira lata e Tamara resolveu experimenta-la no quintal da sua avó.

 

Não se considera graffiter, na verdadeira aceção da palavra, mas sim artista de arte urbana. Tenta fazer peças o mais neutras possível para chegar ao maior número de pessoas, não considerando, por isso, que se note muita feminilidade nas suas criações. «Prefiro optar pela força em vez da doçura».

 

Licenciada em Artes Plásticas e com um mestrado em Práticas Artísticas Contemporânea, Tamara trabalha como ilustradora e colabora com o jornal “Le Monde Diplomatique”. Profissão, aliás, tida por muitos artistas de rua, que explanam em outros suportes a criatividade que vezes não podem fazer na rua.

 

O perigo de pintar na rua é alguém logo de seguida pintar por cima. «Faz parte e fui-me habituando. Hoje em dia já toda a gente pinta com o objetivo de tirar uma boa foto. O que acho interessante no trabalho de rua é como as pessoas e a cidade se apropriam dele e como se vai transformando com o tempo. Mas já tive um que se aguentou seis meses», conta Tamara. A jovem trabalha muitas vezes com outro artista, José Carvalho, com quem compõe o coletivo Colorblind. «Se o graffiti está na moda? Sim e isso é bom, porque começaram a valorizar os artistas. É difícil pintar com latas e é bom o artista estar a ser reconhecido», diz Tamara.

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