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Gonçalo Lobo: «As pessoas que tomam os antirretrovirais diariamente e mantêm uma carga viral indetetável não têm risco de transmissão sexual do vírus»

A Abraço lança a campanha “i=i – Indetetável é igual a Intransmissível”. O objetivo é divulgar um facto revolucionário, mas amplamente desconhecido: as pessoas que vivem com VIH e que se encontram em tratamento não transmitem sexualmente o vírus, conforme explica Gonçalo Lobo, presidente da associação Abraço.

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A campanha chama-se i=i (Indetetável = Intransmissível) e é uma ação promovida por uma comunidade global de defensores, ativistas, investigadores e mais de 500 parceiros comunitários de 70 países que se unem para esclarecer e divulgar este facto revolucionário, mas amplamente desconhecido, de que as pessoas que vivem com VIH e que se encontram em tratamento não transmitem sexualmente o vírus.

 

Tem vindo a ser provado que todas as pessoas que tomam os antirretrovirais diariamente conformem prescrito e que conseguem e mantêm uma carga viral indetetável não têm risco de transmissão sexual do vírus para um parceiro com VIH negativo. O movimento i=i tem sobretudo como objetivo a redução de estigmas como a vergonha, a culpa e o medo, assim como a erradicação do preconceito e da discriminação.

 

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«Uma das necessidades mais reportadas nas pessoas que acompanhamos é a dificuldade de revelar ao parceiro que se está infetado pelo VIH com receio de ser abandonado. E, por outro lado, a dificuldade em incorrer e manter-se numa relação afetiva próxima e duradoura. Esta campanha vem ajudar a retirar a culpa e a vergonha associada à infeção pelo VIH tanto por parte da pessoa que vive com a infeção como pelos parceiros/futuros parceiros. Não havendo este auto-estigma, mais facilmente as pessoas poderão vivenciar as suas relações e atividade sexual, de forma mais prazenteiro e saudável», explica o presidente da Abraço.

 

O movimento i=i foi lançado no início de 2016 com uma Declaração de Consenso inovadora, que está na génese desta iniciativa que está a mudar a definição do que significa viver com o vírus do VIH.   E, claro, muito se deve ao avanço científico e à melhoria das terapêuticas. «Tem vindo a ser provado que todas as pessoas que tomam os antirretrovirais diariamente conforme prescrito e que conseguem e mantêm uma carga viral indetetável, não têm risco de transmissão sexual do vírus para um parceiro com VIH negativo», explica Gonçalo Lobo, que acrescenta: «Hoje em dia, temos terapêuticas altamente eficazes no controlo da infeção com poucos efeitos secundários e reduzindo o impacto no dia-a-dia das pessoas que vivem com a infeção pelo VIH».

 

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Significa isto que é seguro um casal, com um deles com VIH, ter relações sem proteção? À MOOD, o presidente da Abraço responde: «Aconselha-se sempre a proteção até porque o preservativo não protege única e exclusivamente da infeção pelo VIH, mas também de outras IST. Já no que concerne, somente, à infeção pelo VIH podemos afirmar que é seguro terem relações sexuais. Tal como referido anteriormente, já existiam casais serodiscordantes que tiveram filhos, pela via natural, onde havia a prática regular de sexo desprotegido».

 

Porém, atrás da evolução na saúde e nos tratamentos, a mudança mais lenta é a que se tem de efetuar na sociedade. «A grande revolução é exatamente do ponto de vista social, de que as pessoas que vivem com a infeção pelo VIH possam revelar o seu estatuto serológico ao parceiro sem receios e sem a culpa associada».

 

É neste sentido que esta campanha visa contribuir para mitigar o estigma e peso de estar infetado pelo VIH. «Esta campanha permite, para além de colocar a pessoa que vive com a infeção pelo VIH no centro da quebra da cadeia de transmissão, apelar ao cuidar de si próprio reduzindo a possibilidade de deterioração do estado de saúde e também de cuidar do outro, não constituindo risco de transmissão», finaliza Gonçalo Lobo.

 

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