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Gestão emocional do cancro da mama: como lidar com o diagnóstico e a doença

Outubro é o mês da Prevenção do Cancro da Mama. Para além do impacto físico, a mulher tem de lidar com a avalanche emocional que vem com o diagnóstico. Falámos com o psicoterapeuta Nuno Cristiano de Sousa sobre o impacto emocional da doença nas várias fases do processo.

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As estatísticas dizem que 1 em cada 11 mulheres em Portugal irá ter cancro da mama ao longo da sua vida. Acha que as medidas preventivas atuais são suficientes?

Em termos de estruturas hospitalares existem recursos disponíveis. Contudo, o alerta para a necessidade da ação preventiva por parte das mulheres tende a ser mediatizado apenas por breves períodos de tempo. Penso que seria útil introduzir nos planos curriculares ou complementares efetivos, ao nível do ensino secundário, programas de informação e sensibilização para a saúde feminina e sexual. Há ainda casos em que a informação veiculada tem o efeito contrário ao pretendido, uma vez que a dramatização da doença oncológica e a urgência da triagem parecem despertar a sensação de que a triagem é a confirmação de uma sentença, o que por vezes leva à reação de “não olhar para não ver, porque se não se vê, não existe.”, quando na realidade o que se pretende é exactamente prevenir a doença e a sentença.

 

De entre todos os cancros, imagino que o da mama seja um dos que têm maior impacto emocional nas mulheres. Isto verifica-se?

O cancro da mama tem dois fatores particulares: por um lado, coloca em risco um órgão externo que, caso seja removido, provoca uma alteração física brusca e visível. Por outro lado, é um órgão que está ligado à identidade sexual e poderá constituir uma ameaça à segurança da mulher, não só no modo como se sente confortável com o seu corpo, como na dúvida sobre como o parceiro olhará.

 

Veja também: Mitos desmistificados sobre o cancro

 

Quando um médico tem de dar o diagnóstico de cancro da mama a uma paciente, de que forma deve ser introduzido o tema?

A comunicação de uma doença tão conotada com o tema da morte é um desafio para o clínico. Diferentes pessoas tendem a reagir de modo diverso. Nesse sentido, o médico deve elucidar a paciente tanto quanto ela queira saber, sem que esta fique em estado de choque, e manter uma atitude empática. A informação deve ser doseada, de acordo com a reação da paciente no sentindo de a clarificar, não escondendo informação mas respeitando o tempo de cada pessoa.

 

O processo de luto compõe-se de uma série de fases. O processo de aceitação de uma doença como o cancro é idêntico?

Ambas as situações inevitavelmente despertam na pessoa pensamentos relacionados com o tema da perda e da morte. Há um certo paralelismo entre as duas situações na medida em que a perda de algo é um elemento muito valorizado – uma pessoa, ou uma auto-imagem – é natural que, temporariamente, a pessoa tente negar a ocorrência, sinta raiva pelo que aconteceu, se sinta deprimida, até aceitar os factos. No entanto, há diferenças consideráveis. No luto, há uma morte efetiva e, no caso da doença oncológica, a perde remete para uma parte da identidade da pessoa, como por exemplo a saúde, imagem corporal, ou estabilidade na relação conjugal.

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