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Geração Selfie: estudo identifica impactos negativos no desenvolvimento dos adolescentes

Atualmente, o Facebook, Twitter, Instagram e Snapchat são as redes sociais mais utilizadas para comunicar com os outros, através de fotografias ou pequenos vídeos que retratam parte do nosso dia-a-dia. Contudo, e de acordo com um estudo da Universidade de Kentucky, nos EUA, estas formas de interação constituem um desafio para os grupos de pessoas mais vulneráveis, como os adolescentes, visto estarem a passar por muitas transformações. A investigação revela que esta dependência está a provocar problemas de autoestima e autoimagem.

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A maioria das pessoas que já não se imaginam num mundo onde a tecnologia e as diversas plataformas de comunicação não existe​em, especialmente os adolescentes, que não conseguem conceber uma vida sem internet. Contudo, nem tudo é bom neste novo tipo de interação social. Tem duas faces, tal como uma moeda. Por um lado, é positiva a forma como as redes sociais lhes conferem um sentimento de pertença, mas por outro tem um impacto social negativo sobre a sua própria imagem. Quem o diz é a professora de psicologia e autora do estudo da Universidade de Kentucky, nos EUA, Christia Spears Brown.

 

«Se passarmos por qualquer grupo de adolescentes, vamos notar que a maior parte deles está com o olhar fixado no ecrã e a fazer ‘swipe’ de plataforma em plataforma, independentemente da classe social, raça ou género», começa por explicar. O problema, segundo a autora, é a incerteza dos efeitos que estas formas de comunicação têm no desenvolvimento dos adolescentes.

 

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Devido à pouca investigação neste ramo, a autora, juntamente com uma equipa de cientistas, explorou os efeitos potencialmente nocivos da exposição dos adolescentes nas redes sociais, desenvolvendo o estudo ‘A Geração de Selfie: examinando a relação entre o uso de redes sociais e a imagem do corpo da adolescência precoce’. «Estávamos preocupados que o uso dessas plataformas sociais que enfatizam a forma como as pessoas aparentam ser [fisicamente] pudesse estar associado à forma como os adolescentes se sentem com os seus próprios corpos», declara a autora.

 

Já vários estudos anteriores revelaram que a maioria das meninas, do 2º ciclo, estavam insatisfeitas com as formas do seu corpo. Isto acontece, em parte, porque este grupo passa os dias «a olhar para fotos altamente sexualizadas que foram intervencionadas por outras pessoas», esclarece Christia Spears Brown.

 

O Facebook, Twitter, Instagram e Snapchat são plataformas visuais que fornecem ferramentas que permitem aos adolescentes obter uma espécie de aprovação da sua aparência física, o que faz com que se comparem com os outros. Segundo o estudo, para o género feminino o facto de documentar e partilhar experiências pode começar como se de uma brincadeira se tratasse, mas pode rapidamente transformar-se numa obsessão.

 

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«Os adolescentes são especialmente vulneráveis, porque estão a vivenciar momentos de muitas transformações», quer físicas, sociais ou psicológicas. Devido a todas essas alterações «estão muito mais focados nas opiniões dos outros». Todas estas mudanças decorrentes do seu normal desenvolvimento «colocam os adolescentes precoces num maior risco de desenvolver uma imagem corporal negativa, podendo até, consequentemente, originar distúrbios alimentares», esclarece a investigadora.

 

Para que fosse possível obter estas conclusões, o estudo examinou o Twitter, o Facebook e o Instagram, contando com a participação de 142 estudantes do ensino médio de quatro escolas diferentes, com idades compreendidas entre os 11 e os 14 anos, dos quais 94 por cento tinham 12 ou 13 anos. A diversidade étnica (45% eram estudantes brancos, 22% latinos, 19% negros e 13% multirraciais) foi outro parâmetro para a realização do estudo.

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