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Gaslighting: o que é, sinais de alarme e como lidar

O gaslighting é uma forma de manipulação psicológica em que o agressor tenta semear a dúvida e a confusão na mente da vítima.

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Distorcendo a realidade e forçando a questionar o seu próprio julgamento os gaslighters procuram ganhar poder e controlo sobre a outra pessoa. É assim uma forma de abuso psicológico em que uma pessoa leva alguém a questionar a sua própria sanidade, memórias ou perceção da realidade. O gaslighting pode ocorrer em qualquer tipo de interação interpessoal, no entanto é na relação amorosa que ganha mais significado.

 

As pessoas que sofrem de gaslighting podem sentir-se confusas, ansiosas ou como se não pudessem confiar em si próprias, afinal, as estratégias usadas pelos gaslighters são verdadeiramente manipuladoras.

 

Tipicamente, num momento inicial, o gaslighter tende a mentir sobre coisas simples, tendência que cresce rapidamente. Normalmente, utilizam reforços positivos ocasionais para confundir a vítima, e, simultaneamente, tentam virar os outros contra a mesma, sobretudo os seus próprios amigos e familiares, dizendo-lhes que a vítima está a mentir ou a delirar.

 

VEJA TAMBÉM: PARE DE SE COMPARAR…

 

Recorrendo à contra-argumentação, o gaslighter questiona a memória da vítima sobre os acontecimentos, apesar desta os recordar com exatidão, podendo questionar e referir frases como: “Tens a certeza disso? Tens má memória”, “Estás errada/o… tu nunca te lembras das coisas corretamente”, ou “Acho que te estás a esquecer do que realmente aconteceu”.

 

É comum também usar a minimização, quando faz com que as necessidades ou sentimentos da vítima pareçam não ter importância e, assim, menospreza ou ignora o que a outra pessoa sente, acusando-a de ser “demasiado sensível” ou de ter uma reação exagerada em resposta a preocupações válidas e razoáveis. Exemplo: “Vais ficar zangado(a) por causa de uma coisa tão pequena como esta?”.

 

E a retenção: em que finge não compreender a conversa, ou recusa-se a ouvi-la, de modo que a pessoa duvide de si própria. Por exemplo, podem dizer: “Agora estás a confundir-me” ou “Não sei do que estás a falar”.

 

Hábil em manipular, o gaslighter recorre ainda à negação onde recusa assumir a responsabilidade pelos seus atos, i.e., o abusador finge esquecimento acerca do que realmente aconteceu, negando (por exemplo, promessas feitas à vítima) ou culpando outra pessoa pelo seu comportamento.

 

Frases típicas desta estratégia são “Não sei do quê estás a falar” ou “Estás a inventar coisas” ou muda o assunto de uma discussão e/ou questiona os pensamentos/ a credibilidade da outra pessoa. Pode, por exemplo, dizer: “São apenas disparates que leste na internet, não é real!”.

 

Com esta estratégia manipuladora vai ganhando controlo sobre a outra pessoa. Assim, incapaz de confiar em si própria, a vítima pode começar a depender verdadeiramente do seu parceiro e das suas narrativas para recordar memórias ou tomar decisões, podendo inclusive sentir igualmente que não pode/ consegue deixar o parceiro.

Mas há sinais de alerta, basta estar atento…

Se com frequência se sente inseguro quanto às suas perceções; se questiona frequentemente se  se está a lembrar corretamente das coisas, se duvida recorrentemente de si mesmo; se tem dificuldade em tomar decisões simples; se acredita que é demasiado sensível, irracional ou que pode estar “louco/a”; dá desculpas para o comportamento do seu parceiro à família ou amigos; passa muito tempo a pedir desculpa pelos seus atos; sente-se incompetente, sem confiança ou sem valor; está constantemente a pedir desculpa (à pessoa abusiva, mas não só); defende o comportamento da pessoa abusiva perante os outros; fica retraído ou isolado dos outros provavelmente está a ser vitima de gaslighting.

 

Saiba que tal pode ter efeitos notórios na sua saúde mental. Para além de questionar a sua própria identidade e crenças, a vítima de gaslighting sente-se frequentemente isolada e impotente. Os sintomas de abuso de gaslighting podem também incluir baixa autoestima, desorientação, incerteza sobre a sua própria realidade, ansiedade e, ainda, depressão. Como resultado da vivência deste tipo de abuso, as pessoas podem encontrar-se vulneráveis a quadros como a ansiedade, a depressão e até pensamentos intrusivos, com ideação suicida.

 

Mas há solução, deixo-lhe algumas dicas:

Recolha evidências: a recolha de evidências é uma possibilidade, uma vez que pode ajudar a provar a si mesmo que não está a fazer imaginar cenários, ou a esquecer-se das coisas.

 

Fale com outras pessoas (da sua confiança) sobre o que se está a passar: não permita que o gaslighter o separe dos seus amigos, familiares ou colegas que gostam de si e respeitam o seu ponto de vista. Partilhe o que se está a passar com o maior número possível de pessoas para que possam validar a sua experiência emocional.

 

Estabeleça limites na relação com a pessoa abusiva: inclui defender-se a si próprio, para que o abuso termine. Em muitos casos, inclui terminar uma relação ou cortar laços com um parceiro.

 

Mude de prioridades: As pessoas abusivas manipulam uma pessoa, muitas vezes ao ponto de estas se negligenciarem a si próprias enquanto cuidam da pessoa abusiva. É importante acabar com este hábito e começar a colocar as suas próprias prioridades, nomeadamente o seu bem-estar físico e psicológico, em primeiro lugar.

 

Por fim, procure ajuda profissional: a procura de ajuda profissional, sob a forma de psicoterapia e grupos terapêuticos, pode reforçar a determinação da pessoa e ajudá-la a acreditar que não está sozinha na recuperação da situação de abuso.

 

 

 

 

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