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“Food for thought“: a linha ténue do marketing das marcas alimentares

Estamos quase no verão e não faltam por aí dietas milagrosas que prometem um “corpo de praia”. Também não faltam produtos nas prateleiras que prometem ajudar a cumprir essas ditas dietas. Mas não são só os desejos de um corpo de verão que condicionam as nossas escolhas alimentares.

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Na verdade, já não vamos para novos e temos de redobrar cuidados na forma como comemos e como nos mexemos. Ainda assim, mesmo com cuidados, nada nos garante que o colesterol não vem acima dos limites e que temos de repensar as nossas escolhas alimentares.

 

É sobre o colesterol de uma amiga que falo, claro está!

 

Na procura por soluções “mais saudáveis” para os lanches, para substituir frutos secos e outros “snacks” com teor de gordura que sabemos não são indicados para quem tem o colesterol em níveis não recomendados, eis que aparecem umas bolachas que prometem ser a salvação.

 

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Embalagem neutra em azul-claro, um “0%” de açúcares em letras grandes e a bold a chamar a atenção, cereais a embelezar o cenário. Tudo perfeito. Uma ótima oportunidade (e motivo) para agarrar e levar para experimentar. Cumprem! Podem ser 0% de açúcares, mas são 100% de sabor. Que maravilha! Só que não.

 

Odeio sentir-me enganada. Seja de que forma for. Bem, não sou eu, é a tal amiga 😊.

 

As bolachas não são assim tão amigas de uma dieta pobre em gorduras e, como tal, não cumprem a função (não obstante, não deixam de ser deliciosas).

 

Nem todos temos um curso de nutricionista ou aprendemos a ler rótulos (deveria ser matéria nas escolas), por isso, há um papel importantíssimo das marcas e do marketing na comunicação dos benefícios dos produtos que oferecem e sobre o conceito de saudável dos mesmos, já que este não é assim tão linear (0% açúcar não quer dizer que seja saudável!).

 

Muito se tem falado de “greenwashing”, mas o “foodwashing” não é de menor importância. É importante existirem provas substanciais quanto ao fato de os produtos serem mais saudáveis, mais naturais ou mais sustentáveis. Tem de haver o máximo de transparência para que o consumidor possa fazer escolhas informadas.

 

Cada caso é um caso e as ditas bolachas, saborosas por sinal, até podem ser uma ótima escolha para algumas pessoas, por isso, a chave é mesmo a informação. Cabe às marcas o papel crucial de informar os consumidores sobre os seus produtos e permitir-lhes fazer escolhas sustentáveis (saudáveis, éticas, naturais, …).

O que as marcas devem fazer

– Ser autênticas garantindo que o que alegam é genuíno e apoiado em provas verificáveis,

– Ser transparentes nas informações sobre os produtos (ingredientes, origem, métodos de produção, certificações ou outros),

– Ter uma rotulagem clara e padronizada, que ajude os consumidores a compreender facilmente a opção que têm pela frente,

– Dar prioridade à rastreabilidade da cadeia de abastecimento e comunicá-la aos consumidores,

– Fomentar a educação e a comunicação por forma a instruir o consumidor e capacitá-lo para fazer as escolhas mais informadas,

– Apostar na Inovação e Sustentabilidade para criar produtos e praticas de produção e fabrico mais sustentáveis.

Mas já sabemos que as marcas continuam a ter o objetivo último de vender e, por isso, além de ter em atenção todos os pontos anteriores, devem seguir algumas regras para sobressair num mar de produtos em prateleira.

 

Regras para sobressair na prateleira

– Contar uma história que ajude a criar uma ligação emocional à marca e que demonstre o seu compromisso com uma alimentação mais saudável ou com práticas mais sustentáveis,

– Compreender os valores e as preocupações do público-alvo e adaptar as mensagens de marketing em conformidade para atrair e envolver os consumidores,

– Escolher as colaborações e parcerias (organizações ou influenciadores) adequadas para amplificar a mensagem da marca,

– Utilizar embalagens e design que estejam de acordo com os valores de sustentabilidade da marca,

– Aproveitar em seu benefício as plataformas de redes sociais e canais digitais, partilhando histórias e testemunhos, para interagir com os consumidores e partilhar conteúdos educativos sobre escolhas alimentares.

 

O marketing não deve ser focado apenas na promoção de produtos, deve também servir como ferramenta para educar, inspirar e capacitar os consumidores a fazer escolhas adequadas.

 

Exige-se especial cuidado na comunicação de produtos para um target mais infantil (está legislado até), mas uma abordagem transparente e educativa é aconselhada em toda e qualquer comunicação de marcas alimentares.

 

Não se deixem enganar pela embalagem “inocente”. Informem-se sobre o que vão comer, a bem do vosso colesterol (ou da amiga 😊)!

 

 

 

 

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