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Florados de Lagoa à prova durante cinco dias

A cidade algarvia recebe a 17ª edição da mostra que apresenta um dos segredos mais bem guardados da doçaria lagoense. E como doce conventual que é, poe-se à prova no Convento de São José, de 17 a 21 de julho.

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O Convento de São José, em Lagoa, volta a receber o melhor receituário conventual de Lagoa e de outros mosteiros e pastelarias do resto do país. A grande revelação desta edição é a recuperação de um dos doces de inspiração conventual mais característicos do município de Lagoa, cuja receita estava guardada, desde o século XVIII, pelas Irmãs Carmelitas que ocuparam o Mosteiro.

 

Durante cinco dias consecutivos, de 17 a 21 de julho, entre as 19h00 e as 01h00, estarão à prova mais de uma centena de bolos, doces, compotas, mel e bebidas tradicionais.  A iniciativa, de entrada livre, conta ainda com um programa paralelo composto por momentos de animação, entretenimento e de cultura.

 

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Destaque para a estreia da peça de rua “Convento Interior”, uma viagem teatral e multimédia, com recurso ao video mapping, onde os atores Fernanda Poeira, Ulisses Ceia, Rute Cardoso, Hugo Miguel, Jéssica Barreto convidam o público a percorrer a história dos Florados e da doçaria conventual. Assinada e encenada por Nuno Paulino, com vídeo da dupla Henrique Frazão e Tiago Costa e música de Hugo Miguel, “Convento Interior”, irá ser apresentada durante os cinco dias da Mostra, sempre às 23h00.

 

Destaque ainda para uma mesa redonda nos claustros do Convento de São José, no dia 20 pelas 19h00, sob o título “Do Convento para a nossa mesa”, onde o passado, o presente e o futuro da doçaria conventual serão discutidos, numa conversa que juntará a escritora Cristina Castro, autora da coleção de livros “A doçaria portuguesa”, a doceira regional Cremilde Paias, responsável pela reinterpretação deste doce e sua embaixadora, e alguns representantes de pastelarias, restaurantes e hotéis da região, que darão a sua visão da importância desta iniciativa, reavivando a memória coletiva da comunidade e também criando experiências complementares à vivência do destino turístico, através do storytelling que proporciona.

 

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florados de lagoaSobre os Florados de Lagoa

Perde-se no tempo a origem dos Florados de Lagoa, doces típicos do concelho de Lagoa. A sua composição, à base de açúcar, amêndoa e fios de ovos é um legado da cozinha tradicional algarvia, alicerçada nos milenares hábitos mediterrânicos e na fusão de sabores da alimentação árabe com a doçaria conventual.

 

Em Lagoa, a presença de religiosas recolhidas no Convento de S. José desde o século XVIII pode estar na génese de um conjunto de doces típicos registados no concelho, entre estes aqueles que ficaram conhecidos por “Florados de Lagoa”.

 

Nas últimas décadas, a confeção dos Florados caiu em desuso, tornando-se quase um exclusivo de momentos festivos, casamentos, batizados e mostras da especialidade. A recuperação deste património gastronómico de Lagoa e do Algarve, através do registo e da transmissão da arte de bem fazer doçaria, concorre para o conhecimento e preservação da cultura imaterial lagoense, que o Município deseja reavivar e promover, uma verdadeira marca identitária da pastelaria tradicional algarvia.

 

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Sobre o Convento de São José

O Convento de São José é um edifício sóbrio da primeira metade do século XVIII. Foi construído com o propósito de servir o recolhimento de mulheres e o acolhimento de crianças, tendo funcionado durante cerca de um século sob orientação de uma ordem religiosa de freiras mendicantes. É dessa época a roda dos expostos, que ainda pode ser vista à entrada.

 

Após a extinção das ordens religiosas (1834), o edifício foi adaptado a colégio de educação de meninas e orientado por um grupo de religiosas dominicanas, funcionando até à instauração da República. Em finais da década de 80 do século XX a autarquia levou a cabo a recuperação e adaptação do edificado para, a partir de 1993, passar a ser um dos polos da atividade cultural de Lagoa.

 

Os seus elementos mais emblemáticos são, além da roda, a torre mirante, de janelas de rótula, a capela, cujo altar ostenta uma imagem de S. José, o claustro, em cujo centro figura uma cisterna de planta octogonal. Nota para o menir do jardim, proveniente de um sítio arqueológico da zona de Porches, datado de entre 5000 a 4000 anos antes da nossa era.

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