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Estudo da DECO revela falta de comunicação entre médicos de família e pacientes

Vergonha de perguntar, receio de revelar automedicação ou que se faz terapias paralelas fazem com que a verdade não seja totalmente transparente dentro do consultório. Do lado do paciente, a principal queixa é a falta de compreensão.

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A Associação de Defesa do Consumidor inquiriu médicos de família e pacientes para avaliar a qualidade da relação entre ambos e concluiu que prevalece alguma falta de comunicação, sentida por ambas as partes. O resultado é uma relação assente em baixas expectativas.

 

Os médicos gostariam que os doentes fossem transparentes quanto à automedicação e terapias paralelas que os pacientes eventualmente podem fazer. Já os pacientes dizem-se pouco compreendidos e envolvidos no tratamento. O inquérito foi conduzido entre setembro e outubro de 2016 e contou com 1013 respostas válidas na amostra dos pacientes e 281 respostas válidas de profissionais a exercerem medicina geral e familiar.

 

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Prova do desencontro entre médicos e pacientes são as respostas a algumas questões que a DECO recolheu. Se 35% dos médicos estão certos de que os doentes sabem que se preocupam com eles, apenas 15% dos pacientes assim pensam.  Outra discrepância significativa é a que se prende com o diagnóstico: 28% dos profissionais estão convencidos de que os doentes confiam plenamente no veredicto, quando, na verdade, esse número é de apenas 19 por cento. Interessante é também o facto de os médicos acreditarem que só um em quatro doentes é transparente. Já os pacientes são mais positivos: 34% dizem não ter segredos para o médico.

 

«Na essência, estes dados são modestos e mostram que existe desconfiança ou, pelo menos, baixas expectativas de parte a parte. O nosso estudo conclui, no entanto, que melhorar a relação não requer grande esforço. Basta o doente ser claro sobre as suas queixas, expor dúvidas, anotar as recomendações e ser transparente quanto a automedicação e terapias paralelas. Do lado do médico, maior compreensão pelos sentimentos do doente e maior envolvimento deste nas soluções seriam atitudes bem-vindas», revela a DECO em comunicado.

 

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Nas respostas dadas, a DECO apurou que os médicos consideram útil que os pacientes estruturem uma lista de queixas, para organizarem as ideias na consulta, e que não tenham vergonha de perguntar, mas que não se detenham demasiado na Internet a pesquisar sintomas e a navegar por ansiedades antes do encontro.  Também ainda existe quem tenha vergonha de perguntar, ou de confessar que está a seguir outro tratamento ou a fazer automedicação. Pelo meio, algo se perde. Uma comunicação menos eficaz põe em causa a eficácia do tratamento.

 

A proximidade entre médico e paciente também pode suscitar um reverso. Dos médicos inquiridos, 48% assumiram que, todas as semanas, prescrevem exames desnecessários apenas porque o doente insiste. Rui Nogueira, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), explica: «Ainda se encontram doentes a pedir exames complementares, por admitirem a sua importância. Mas claro que os médicos não devem ceder, por princípio, a estes pedidos se, de facto, são exames desnecessários. Não com o simples argumento de sobrecarregar o sistema, mas por serem desnecessários, arriscados ou irrelevantes do ponto de vista clínico».

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