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Estudo: 80% das pessoas mentem ao médico

Não só a esmagadora maioria não fala toda a verdade sobre a sua alimentação e prática de exercício físico, como também não se manifesta quando não entende o que é prescrito. A razão? Vergonha, revela um novo estudo realizado por três universidades nos EUA.

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Cerca de 80% das pessoas mentem ao médico sobre informações que podem afetar a sua saúde, nomeadamente sobre a descrição precisa da sua dieta e a frequência exercício físico, conclui um novo estudo levado a cabo por três universidades dos Estados Unidos da América.

 

Acrescenta a pesquisa que, além de mentirem sobre a dieta e o exercício, mais de um terço dos entrevistados não se manifestou quando discordou da recomendação do médico. Outro cenário comum é não admitir que não entendem as instruções do médico.

 

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Quando questionados sobre a razão por que não eram transparentes com o médico, a maioria dos entrevistados disse que queria evitar o julgamento do médico e ouvir sobre os seus comportamentos erráticos. Mais da metade estava simplesmente muito envergonhada para dizer a verdade. «A maioria das pessoas quer que o seu médico pense bem delas», diz a autora do estudo, Angela Fagerlin, diretora de ciências da saúde na Universidade de Utah Health. «As pessoas estão preocupadas em serem rotuladas como alguém que não toma boas decisões», acrescenta a investigadora.

 

Os cientistas conduziram o estudo em colaboração com colegas da Universidade de Michigan e da Universidade de Iowa. Os resultados foram publicados online no JAMA Network Open, no final de novembro.

 

Os dados sobre a relação médico-paciente vieram de duas fontes. Uma pesquisa recolheu respostas de 2.011 participantes com média de idade de 36 anos. A segunda questionou 2.499 participantes com 61 anos, em média. A pesquisa foi desenvolvida com a contribuição de médicos, psicólogos, pesquisadores e pacientes, e aperfeiçoada por meio de testes-piloto com o público em geral. «Estou surpreendido que um número tão grande de pessoas optou por reter informações relativamente benignas e tenham admitido isso», diz outro autor do estudo, Andrea Gurmankin Levy, professor associado de ciências sociais.

 

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O problema da desonestidade de um paciente é que os médicos não podem oferecer conselhos médicos precisos quando não têm todos os factos. «Se os pacientes retêm informações sobre o que estão a comer ou medicamentos que estão a tomar, isso pode ter implicações significativas para a saúde deles. Especialmente se tiverem uma doença crónica», alerta Levy.

 

Porém, os investigadores referem que os pacientes podem não ser os únicos culpados. A forma como os médicos comunicam também pode inibir os pacientes. «Isso levanta a questão: existe uma forma de treinar os médicos para que estes ajudem os seus pacientes a sentirem-se mais confortáveis? Afinal de contas, uma conversa saudável é uma viagem recíproca», conclui Angela Fagerlin.

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