Home»ATUALIDADE»ENTREVISTAS»Esther Liska: «A mulher portuguesa tem perfil de líder, só precisa de acreditar mais em si»

Esther Liska: «A mulher portuguesa tem perfil de líder, só precisa de acreditar mais em si»

Em dezembro, o Glow Woman Club vai distinguir a ‘Melhor Empresa com práticas no Feminino’ e a ‘Melhor Líder Feminina’. Um prémio que visa distinguir o desempenho exemplar de mulheres em cargos de liderança em Portugal, onde o número continua ainda muito reduzido. O mote para a conversa com Esther Liska, mentora do projeto Glow Woman Club.

Pinterest Google+

O que são para si boas práticas empresariais no feminino?

São práticas nas empresas que promovam um melhor equilíbrio entre a vida profissional e a vida familiar para ambos os sexos, porque, infelizmente, esta mentalidade ainda não está generalizada entre a população portuguesa.

 

Medidas como a flexibilização do horário de trabalho ou a interrupção de carreira, ainda que pouco expressivas, são utilizadas sobretudo pelas mulheres (de acordo com os dados do INE no módulo do Inquérito ao Emprego, 2010, relativo à conciliação da vida profissional com a vida familiar).

 

Subsiste assim a questão da conciliação entre as várias esferas da vida, domínio no qual as mulheres continuam a ser enormemente penalizadas, porque lhes continua a competir a responsabilidade pelas tarefas domésticas e pelo cuidado às crianças e outros dependentes.

 

O concurso vai distinguir também a ‘Melhor Líder Feminina’. De que características estão à procura?

A Melhor Líder Feminina é eleita através das respostas que recolhemos nos inquéritos colocados aos colaboradores. São perguntas abertas que, no fundo, nos levam a encontrar o perfil da mulher que tem a perceção de si própria como agente de mudança. Que não tem medo de colocar o status quo em causa se for necessário, e de sair rapidamente da zona de conforto. Preocupada com a sustentabilidade e em fazer crescer tudo à sua volta, daí que o impacto das suas decisões atinge não só o âmbito empresarial, como também o impacto na vida do indivíduo, na sua comunidade, no país e no planeta.

 

Veja também: Sabe o que os seus colegas de trabalho pensam sobre si?

 

Está ainda longe a igualdade plena entre homens e mulheres no local de trabalho?

Eu acredito que a mudança deste paradigma pode ser medida com maior facilidade através dos comportamentos que vemos refletidos nas novas gerações, por exemplo, um estudo realizado pela Delloitte sobre a geração Millennials (nascidos entre 1982 e 1997) concluiu que os homens tinham maior predisposição para afirmar que gostariam de alcançar um lugar de topo dentro da sua organização, do que as mulheres (59% contra 47%).

 

As mulheres mostraram também uma menor predisposição para avaliar as suas capacidades de liderança durante a licenciatura como fortes; 27% dos homens e 21% das mulheres avaliaram estas capacidades com fortes. No entanto, quando questionados sobre o que destacariam enquanto líderes, as mulheres tiveram mais tendência em afirmar o crescimento e o desenvolvimento dos profissionais empregados (34%, comparado com os 30% nos homens), uma área que muitos Millennials sentem que está a falhar dentro das suas organizações.

 

Se os Millennials já demonstravam ser uma geração mais tolerante do que a antecessora Geração X, o respeito pela individualidade e a diferença atinge níveis históricos com os Centennials (nascidos a partir de 1997). Temas como a igualdade de género e os direitos dos homossexuais e transsexuais, praticamente já não geram discussão.

 

Quais as diferenças mais evidentes nas práticas verificadas nas empresas?

Na experiência que temos tido desde que iniciamos o concurso, as diferenças mais evidentes estão relacionadas com a falta de igualdade no salário para as mesmas tarefas/funções. Já nas regalias há mais paridade. Verificamos também que nas empresas com programas de carreira bem estruturados existe mais paridade de género em cargos de liderança.

Artigo anterior

Looks profissionais para a nova estação

Próximo artigo

O que quer para a sua vida?