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Estereótipos começam a delinear-se aos seis anos de idade

A pesquisa demonstra como os estereótipos de género se apoderam precocemente do crescimento intelectual das meninas e afetam as suas escolhas futuras. Segundo os autores, a sociedade tende a associar mais o sucesso aos homens do que às mulheres, e isso começa a interiorizar-se desde cedo.

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A partir dos seis anos de idade, as meninas têm menos tendência para se sentirem fascinadas por atividades que exijam brilhantismo, por assim dizer, segundo um estudo conduzido por investigadores da Universidade de Nova Iorque, EUA.

 

Mesmo que o estereótipo não corresponda à realidade, pode, no entanto, segundo o estudo, arruinar as aspirações destas meninas e as suas eventuais carreiras profissionais, na medida em que influencia as suas escolhas ao longo da vida. Lian Bian, autora líder do estudo, culpa a sociedade atual: «A sociedade tende a associar o sucesso mais aos homens do que às mulheres, e essa noção afasta as mulheres de trabalhos que são vistos como restritos a homens de sucesso», afirma no site da universidade americana.

 

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Com esta questão em mente, os investigadores fizeram uma série de testes com crianças dos 5 aos 7 anos. Numa das experiências, as crianças ouviram uma história sobre uma pessoa que era ‘realmente muito esperta’ e foram então convidadas a adivinhar qual dos quatro adultos desconhecidos (2 homens e 2 mulheres) era o/a protagonista da história.

 

Embora os resultados tenham mostrado que ambos os meninos e meninas de 5 anos consideravam seu próprio género de forma positiva, as meninas com idades entre 6 e 7 apresentaram significativamente menos probabilidade de o fazer. Essas diferenças de idade foram, em grande parte, semelhantes entre crianças de diversos contextos socioeconómicos e racial-étnicos.

 

Num estudo subsequente, os investigadores questionaram-se se essas perceções moldam os interesses das crianças. Foram apresentados dois jogos a um grupo diferente de meninos e meninas com idades entre os 6 e os 7 anos. Um descrito como para ‘crianças que são realmente muito inteligentes’ e o outro para ‘crianças que trabalham muito para serem inteligentes’. Foram feitas quatro perguntas às crianças para medir o seu interesse nesses jogos como, por exemplo ‘Gostas deste jogo ou não gostas?’. As meninas revelaram-se significativamente menos interessadas no jogo para crianças inteligentes do que os meninos. No entanto, não ocorreram diferenças entre o interesse dos meninos e meninas pelo jogo para crianças trabalhadoras.

 

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A experiência final comparou o interesse dos meninos e meninas de 5 e 6 anos em jogos para crianças inteligentes. Os resultados não mostraram diferenças significativas no interesse entre meninos e meninas de 5 anos, consistente com a ausência de estereótipos nesta idade.

 

«Em trabalhos anteriores, descobrimos que as mulheres adultas estão menos propensas a receber cargos mais elevados em campos que pensam exigir mais brilhantismo e estas novas descobertas mostram que esses estereótipos começam a afetar as escolhas das meninas numa idade dolorosamente jovem», esclarece Sara-Jane Leslie, professora de filosofia.

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