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Estás a dizer que a culpa é minha?!

Durante muitos anos, pensei que grande parte do que vivia era efeito de algo externo a mim. Sabe como é? Nada podia fazer para mudar os resultados de que não gostava. Quando aprendi sobre estar em causa, ou em efeito, a forma como vivo mudou.

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Desde pequeno, ouvi expressões que são exemplo da crença limitadora “estar em efeito”. A pessoa acredita que não pode fazer nada para criar o resultado desejado, ou para mudar algo. É a pessoa que pensa e age como não tendo nada a ver com o resultado que vive. Vive mais como espetador@ do que ator/atriz no filme da sua vida.

 

A expressão “só vim ver a bola” parece fazer sentido nestes casos. Exemplos de expressões seriam: “Não tiro boa nota porque o professor não gosta de mim”. “São os meus genes, não consigo emagrecer”. “Tive uma educação rígida, não sou capaz de agir espontaneamente”. “Sou assim, não posso deixar de ser quem sou”. “Constipaste-te porque andaste à chuva”. E muitas mais existem.

 

Em dezembro de 2013, “apanhei-me” a agir neste mindset, crença, “não tive nada a ver com o assunto”. Estava a ver artesanato local numa pequena loja do maior mercado em Bangkok. Para ver uma peça que estava por trás, desviei uma chávena arrastando-a para fora da prateleira. Imagina a minha cara de espanto e desconcerto ao ver, em câmara lenta, o pires da chávena a cair e partir-se no chão.

 

De imediato, pensei “foi sem querer”. Pedi desculpa ao jovem funcionário e disse que foi sem querer. Genuinamente crente que não tinha sido por minha causa. Apenas estava distraído, menos presente, e a minha mão agiu independentemente da minha vontade. 😀

 

Nas lojas que conheço no mundo ocidental, esta situação passaria como “descuido” e o pires seria apresentado, contabilisticamente, como “quebra”, custo de operação. Mas ali não. O funcionário, assertivamente, disse que eu teria de pagar pelo pires, no mínimo o preço de custo. Pois se eu não pagasse o custo do pires seria descontado do seu salário, chamaria o patrão e a polícia.

 

Lá consegui negociar comprar mais um óleo essencial e baixar o preço do pires partido. Mas assumi a responsabilidade e paguei. Mesmo que, dentro de mim, duas vozes argumentassem “Foi sem querer. Não deviam ter o pires assim “descolado” da chávena, blá blá blá”; e, “Sim, foi sem querer. E foi a forma como tiraste a chávena que levou à queda do pires”.

 

Em psicologia criaram-se dois termos específicos para estas duas formas de ver, agir e viver:

Locus de Controlo Externo (LCE), para quem acredita que os resultados na sua vida dependem de algo externo (o chefe, @ companheir@, os pais, o governo, “you name it”). Ela pouco ou nada controla ou pode fazer em relação ao que vive e aos resultados que tem.

 

Locus de Controlo Interno (LCI), para quem acredita que os resultados que tem e o que experiencia são fruto da sua ação (ou inação). Acredita que, pelo menos em parte, pode fazer algo em relação aos resultados na sua vida.

 

Aprendi e gosto de chamar o LCE por Estar em Efeito e o LCI por Estar em Causa. Acredito que simplifica, ajuda a interiorizar e a aplicar esta aprendizagem na prática.

 

Exemplo dramático: ser assaltado.

Alguém em Causa é assaltado à saída do teatro e reconhece que o que fez, ou a forma como fez, contribuiu para isso. No limite, por ter sido decisão e ação sua estar naquele lugar àquela hora.

Outra pessoa pode pensar: “Caramba, mas eu não sabia que ia ser assaltad@”. Claro que não. Nem estou a dizer isso. Apenas que por a pessoa ter ido ao teatro, por ter saído àquela hora, pela forma como agiu, contribuiu para o resultado “ser assaltad@”.

 

Na mesma situação, alguém em Efeito… “Pobre de mim. Já nem posso vir à rua”, “Este governo é uma vergonha, nem protege os cidadãos”, “A culpa é tua que quiseste vir ao teatro a esta hora”.

 

Acredito que estas duas formas têm um nível saudável, possibilitador, e outro limitador, nada saudável. Estar em Causa deixa de ser saudável quando se acredita controlar coisas que estão fora do nosso controlo. Como parar o vento ou controlar o comportamento do outro. Estar em efeito de forma saudável pode traduzir-se por estar bem, em paz, p.ex., com o que está fora do seu controlo. Seja isso a resposta d@ cliente, a decisão de se ser promovid@, um imprevisto ou a meteorologia.

 

Em quais áreas da tua vida tens estado mais em causa? E em quais tens estado mais em efeito?

 

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