Estará a psicoterapia a funcionar?
Provavelmente esta é a pergunta a que qualquer paciente quer saber a resposta. Está a terapia a funcionar, estarei eu a evoluir?
Uma pergunta complexa, mas de resposta objetiva. Mas antes de lhe dar resposta é importante por de lado alguns mitos que a condicionam.
Existe o mito de que os avanços na psicoterapia geralmente seguem uma progressão linear. Verdadeiro mito, pois os pacientes frequentemente passam pelo que poderíamos chamar de recaídas ou contratempos, o que não significa necessariamente que a intervenção esteja a falhar, mas sim faz parte do processo.
Não é incomum que o plano de tratamento comece com ajustes que melhorem os resultados das intervenções subsequentes, mas que por vezes ocorram alguns retrocessos. Trata-se do caminho para a melhoria e solidificação da mudança.
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Outro mito é que mudar é um processo rápido. Mito, pois a maioria das intervenções precisa de tempo e consistência para produzir resultados efetivos. Não é realista acreditar que a ansiedade, as depressões desaparecerão após duas ou três sessões.
Muitos acreditam que a psicoterapia é apenas falar, tornando-se muito agradável. Mito, pois é muito mais do que isso e a psicoterapia pode ser um processo desconfortável. Se já consultou um ortopedista, pode pensar na dor que pode sentir quando ele começar a trabalhar na lesão que o leva lá. Assim como trabalhar na lesão, “desfazer um nó emocional” pode também causar algum sofrimento. É igualmente provável que venham a surgir factos ou pensamentos que, até agora, tentava manter no lugar mais remoto da sua mente, o que pode agudizar o desconforto. Mas não tema, o espaço terapêutico é o lugar mais seguro para abordar estes temas.
Iniciar um processo de psicoterapia é caminhar em direção a uma vida mais saudável e agradável. Nesse sentido, não é fácil determinar se uma terapia está a funcionar quando o tempo ainda não passou ou quando consideramos apenas uma parte isolada da intervenção.
No entanto, deixo-lhe algumas dicas para saber se a terapia, num dado momento, está a funcionar.
1-Grau de Aproximação das Metas Terapêuticas
Desde a primeira sessão é fundamental estabelecer metas terapêuticas, com base no motivo da consulta. Para avaliar o seu progresso avalie o grau de desfasamento em relação às mesmas.
2-Analise como se sente
Provavelmente esta é uma das melhores formas de saber se a terapia está a funcionar, dado que avalia o bem-estar subjetivo. Reserve algum tempo durante o dia para refletir sobre as suas emoções e o seu crescimento pessoal através da terapia.
Coloque-se as seguintes questões:
- Como eu me sentia antes de iniciar a terapia?
- Como me sinto agora?
- Onde eu estava antes de iniciar o tratamento?
- Onde estou agora?
- O que mudou desde o início do processo?
Ao responder a estas questões, é mais fácil perceber se a sua situação melhorou ou não com a terapia. No entanto, faça uma avaliação objetiva e valorize as pequenas etapas. Outra boa forma para avaliar suas emoções é manter um diário pessoal, no qual anota os seus pensamentos e sentimentos, permitindo-lhe refletir sobre as suas mudanças.
3-Questione o terapeuta
Ao longo do processo, é o seu psicólogo que tem analisado cuidadosamente a sua situação emocional e o seu progresso. Portanto, faz sentido conversar com ele sobre as mudanças que ocorreram desde o início da intervenção. Questione-o sobre a sua evolução. Não receie, pois ele pode até mencionar fatos que nunca notou antes e que mostram um progresso significativo.
Por fim lembre-se os resultados só surgem quando é um agente ativo, e não passivo. Nenhum psicólogo muda o que não quer ser mudado. Pense nisso!
