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Estão os jovens informados sobre a contraceção de emergência?

No âmbito do Dia Mundial da Juventude, assinalado a 12 de agosto, a Sociedade Portuguesa da Contraceção alerta para a necessidade de informar os adolescentes sobre todas as soluções de contraceção. Pois o aconselhamento contracetivo na adolescência reduz em 6% o número de gravidezes não desejadas.

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Os jovens portugueses cada vez mais tendem a ter atitudes e comportamentos sexuais seguros. Tudo isto resultado da inclusão de aulas de educação sexual nas escolas (70% dos adolescentes teve educação sexual nas escolas), da melhoria no acesso às consultas de planeamento familiar – a primeira a realizar-se idealmente entre os 13 e os 15 anos – e mesmo de uma maior disponibilização de informação sobre os métodos contracetivos nos últimos anos.

 

Verificou-se que, em 2005, 18% das adolescentes com vida sexual ativa não usava contraceção e, em 2015, este número é de apenas 5%. Estes números refletem o aumento de conhecimento e da utilização de contraceção por parte dos adolescentes ao longo dos anos.

 

A população portuguesa ronda à volta dos 11 milhões, sendo que mais de metade são mulheres. Dentro da população feminina, 22% admitem que se esquecem de tomar a pilula em todos os ciclos ou mais de uma vez por mês.  Desta elevada percentagem, o mais preocupante é o facto de não tomarem qualquer tipo de prevenção ou discutido esse esquecimento com o seu médico.

 

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Utilizados corretamente são, todos eles, métodos contracetivos altamente eficazes e que oferecem cerca de 99 por cento de eficácia. Os preservativos são os mais populares e de fácil acesso, sendo muito importantes para a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, mas que apenas oferecem uma contraceção eficaz quando usado corretamente.

 

Na ocorrência de relações sexuais sem proteção, medicamentos que diminuem a eficácia da pilula ou em que houve falha do método contracetivo usado, existe uma última opção que permite prevenir uma gravidez não planeada: a contraceção de emergência.

 

Segundo um estudo publicado em 2015 sobre as práticas contracetivas das mulheres em Portugal, da responsabilidade da Sociedade Portuguesa de Ginecologia e da Sociedade Portuguesa de Contraceção, 88% das mulheres sexualmente ativas conhece a pilula de emergência e 17% afirma já a ter utilizado.

 

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A contraceção de emergência atua bloqueando ou atrasando a ovulação, evitando o encontro do óvulo e os espermatozoides. Contudo, a eficácia está relacionada intimamente com o tempo que decorre entre a relação sexual não protegida e a toma, daí a importância de a fazer o mais depressa possível.

 

A contraceção de emergência hormonal recomendada é de toma única, devendo ser tomada no caso de conter a substância levonorgestrel até 72horas (3 dias) ou o acetato de ulipristal (5 dias) após a relação sexual de risco.

 

Ao contrário do que muitas mulheres pensam, a contraceção de emergência não acarreta complicações futuras, como infertilidade, pelo que os efeitos secundários, podendo ser desagradáveis, não são malignos: náuseas, vómitos, hemorragias irregulares (perda de sangue idêntica à menstruação), dores de cabeça, tensão mamária, sensação de cansaço.

 

Muitas são ainda as dúvidas e receios por parte das mulheres relativamente à toma de métodos contracetivos de emergência, pelo que é necessário clarificar junto do seu médico para que juntos vejam o método mais indicado.

 

Por Joaquim Neves

Ginecologista e membro da direção da Sociedade Portuguesa da Contraceção

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