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Espécies marinhas mais valiosas da Europa ‘reduzidas a uma fração’ em 2100

Um novo estudo examina os efeitos combinados do aumento da temperatura dos oceanos, da pesca excessiva e da poluição por mercúrio nos peixes das águas da União Europeia. Em causa estão espécies como o polvo, salmonete, pescada ou linguado.

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Mais de um quarto das 20 espécies marinhas mais pescadas na Europa estarão sob extrema pressão até 2100, se nada for feito para deter simultaneamente as alterações climáticas, a pesca excessiva e a poluição por mercúrio, de acordo com um novo estudo da Universidade da Columbia Britânica Canadá.

 

«Se as emissões de carbono continuarem a aumentar no ritmo atual, a resiliência às alterações climáticas das espécies marinhas que são os pilares do mercado da União Europeia, como a vieira grande, o salmonete e o polvo comum, será enfraquecida pelo ataque combinado da sobrepesca, do aquecimento dos oceanos e poluição por mercúrio», refere Ibrahim Issifu, autor principal do estudo. «A população destas espécies será reduzida a uma fração do seu tamanho atual até ao final do século», acrescentou.

 

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Impacto dos efeitos combinados

O estudo é um dos primeiros a examinar os efeitos combinados do aumento da temperatura, da pesca excessiva e da poluição por mercúrio nos peixes das águas da UE. A equipa de pesquisa selecionou 20 espécies de peixes europeus que têm a maior média anual de capturas e receitas totais e determinaram a faixa de tolerância de temperatura para cada uma dessas espécies, usando estimativas anteriores das suas temperaturas preferidas.

 

Os autores então compararam esse intervalo com os aumentos de temperatura projetados para as águas da UE ao longo do século, em cenários de alta e baixa emissão de carbono. Finalmente, diferentes níveis de concentração de mercúrio, bem como graus insustentáveis ​​de pesca, foram incorporados no modelo.

 

Os resultados mostraram que os impactos nos estoques pesqueiros da Europa variam amplamente dependendo da tolerância à temperatura média de cada espécie, com espécies como a lagosta, o linguado, a vieira, o salmonete e a pescada europeia projetados para diminuir tanto em abundância quanto em distribuição à medida que a temperatura da água atinge níveis letais.

 

barco a fazer pesca de arrasto

Além disso, algumas espécies maiores e de vida mais longa, como o espadarte, poderão ser contaminadas com até 50% mais mercúrio em relação às concentrações atuais, tornando-as inseguras para comer e causando problemas de saúde, como problemas reprodutivos, que diminuirão ainda mais as populações de peixes.

 

«A combinação desses fatores está a trabalhar sinergicamente para criar um ambiente desfavorável para os peixes», explica Vicky Lam, uma das coautoras do estudo. «As espécies mais sobre pescadas e exploradas são severamente impactadas tanto pelas mudanças climáticas quanto pelas altas concentrações de mercúrio. É uma situação crítica», acrescenta.

 

Tanto as alterações climáticas como a sobrepesca têm o potencial de amplificar a quantidade de mercúrio consumida pelos peixes mais acima na cadeia alimentar, como o atum rabilho e os tubarões, disse o coautor Juan Jose Alava.

 

«Um acordo internacional vinculativo para reduzir as emissões de dióxido de carbono e mercúrio da queima de carvão e indústrias consumidoras de combustíveis fósseis e atividades antropogénicas é de suma importância para evitar os piores resultados do aquecimento dos oceanos. Este esforço internacional deve ser fomentado em conjunto com a eliminação de subsídios prejudiciais à pesca para erradicar a sobrepesca», refere Alava.

 

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