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Escassez de água na Península Ibérica vai agravar-se até 2050

No Dia Mundial da Água, a ANPlWWF e a WWF Espanha lançam o relatório “Impactos das Alterações Climáticas na Península Ibérica”, que demonstra a urgência de uma estratégia conjunta entre os governos de Portugal e Espanha para prevenir um cenário de falta de água.

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As alterações climáticas estão a afetar os recursos hídricos e ecossistemas da Península Ibérica, com um cenário de agravamento previsto até 2050, se não houver uma alteração estratégica e alinhamento entre os governos português e espanhol. É esta a principal conclusão do relatório “Impactos das Alterações Climáticas na Península Ibérica”, que explica como os desafios decorrentes dos impactos das alterações climáticas exigem uma ação concertada entre os governos de Portugal e Espanha.

 

Afonso do Ó, especialista em Água da ANP|WWF, explica que «os rios não conhecem fronteiras, e o clima também não. Se já era essencial que os dois países ibéricos coordenassem a gestão dos recursos hídricos que partilham, com as alterações climáticas essa urgência ainda é maior. Da forma como estas alterações já estão a afetar a disponibilidade de água na nossa Península, temos de assumir de vez princípios de precaução, partilha e sustentabilidade, sob pena de num futuro próximo virmos a passar por situações graves de escassez e falta de água. E não é a sede que queremos partilhar com Espanha, mas sim ecossistemas saudáveis que sustentem a água de que todos precisamos».

 

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Apesar da chuva que tem caído, Portugal vive para além da água que tem, enfrentando uma séria escassez hídrica. As alterações climáticas estão e irão continuar a agravar esta situação, tornando os invernos cada vez menos chuvosos e os verões cada vez mais quentes e longos. Hoje em dia, 9 em cada 10 desastres naturais pelo mundo fora envolvem água – e este cenário tem tendência a ficar pior nos próximos 50 anos. Na Península Ibérica, a situação é particularmente preocupante nos rios partilhados com Espanha por serem os maiores em Portugal – mas as alterações climáticas não conhecem fronteiras.

 

O relatório revela que os próximos anos irão trazer cada vez mais dificuldades em assegurar que os rios, aquíferos e reservatórios ibéricos dispõem de água suficiente. Através da análise dos padrões observados em Portugal e Espanha nos últimos anos, o aumento da temperatura, a diminuição de precipitação e o aumento dos períodos de seca são fenómenos cada vez mais presentes e que exigem uma estratégia comum.

 

As alterações climáticas afetam drasticamente os ecossistemas de água doce, e de acordo com o relatório “Peixes Esquecidos do Mundo”, a perda de biodiversidade de água doce é 2 vezes superior à dos oceanos ou florestas. De facto, 80 espécies de peixes de água doce já foram declaradas “Extintas” pela Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da UICN, incluindo 16 só em 2020. Entretanto, as populações de peixes migratórios de água doce diminuíram 76% desde 1970 e os grandes-peixes, uns catastróficos 94%.

 

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Estas consequências impactam diretamente sobre as comunidades que dependem dos serviços dos ecossistemas providenciados por estes rios e afetam atividades como a pesca, a agricultura, turismo e abastecimento energético de cidades em ambos os países.

 

O relatório apresenta recomendações importantes e apela sobretudo à conceção de uma estratégia comum e imediata para combater as alterações climáticas e os impactos das mesmas nos recursos hídricos de Portugal e Espanha. Aponta ainda para a correta e integral implementação da Diretiva Quadro da Água como essencial para as bacias hidrográficas ibéricas, incorporando o princípio da precaução na gestão dos recursos e fornecendo os instrumentos necessários para garantir as reservas de água.

 

 

 

 

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