Home»S-Vida»Enxaqueca na mulher: um tormento da saúde feminina?

Enxaqueca na mulher: um tormento da saúde feminina?

A enxaqueca é uma doença que afeta predominantemente as mulheres. De facto, estima-se que, a nível mundial, cerca de 18% das mulheres sofram de enxaqueca, comparativamente a 9% dos homens. Dia Europeu da Ação contra a Enxaqueca assinala-se a 12 de setembro.

Pinterest Google+
PUB

Como identificar? Que exames são necessários para diferenciar a enxaqueca de outras possíveis patologias?

O diagnóstico da enxaqueca é essencialmente clínico, feito pelo médico na base dos sintomas dos doentes. Não existe nenhum marcador biológico para a enxaqueca, ou seja não existem análises laboratoriais, exames de imagem (Tac ou Ressonância) ou exames Neurofisiológicos (como o eletroencefalograma) que permitam diagnosticar a enxaqueca. Esses exames servem sobretudo para excluir a presença de outras doenças.

 

As crises de enxaqueca caracterizam-se por episódios, que duram entre 4-72 horas, de dor de cabeça muito intensa, pulsátil ou latejante, que se localiza sobretudo na região orbitária e na têmpora mas podem atingir metade ou toda a cabeça. A dor piora com qualquer movimento da cabeça e com o esforço, mesmo pequenos esforços como subir as escadas ou andar um pouco mais depressa. A pessoa fica com uma grande sensibilidade a todos os estímulos sensoriais, luz, som, cheiros e ao movimento, e por isso tendem a isolar-se num local escuro. Durante as a pessoa fica nauseada e pode vomitar. O que significa que a medicação tomada pela via oral pode ser mal absorvida.  Cerca de 15% das pessoas têm perturbações visuais a que chamamos a aura.

 

Quando procurar ajuda médica?

Uma pessoa que tenha crises de enxaqueca incapacitantes, muito frequentes, com aura, ou outros sintomas, ou que não respondem à medicação, deve consultar o seu médico. Por um lado porque deve ter um diagnóstico e, por outro, porque tem havido um desenvolvimento muito grande na terapêutica desta doença, pelo que não faz sentido que as pessoas sofram. Mesmo numa altura de pandemia, como esta que atravessamos, é fundamental que as pessoas não descuidem este aspeto da sua saúde que tem um enorme impacto sobre a produtividade, a qualidade vida e o bem-estar.

 

VEJA TAMBÉM: O CONFORTO DA MASSAGEM INDIANA À CABEÇA

 

Há solução? Que tratamentos?

Existem, hoje em dia, tratamentos inovadores que podem reduzir o número, a intensidade e a duração das crises. As pessoas que sofrem de crises de enxaqueca deve manter um calendário onde assinalam os dias em que tiveram dor de cabeça e os medicamentos que tomaram. Esse registo dá uma noção precisa da frequência, do consumo total de fármacos e se existe alguma periodicidade. Isso que permite ao médico fazer uma terapêutica dirigida a essas alturas mais críticas.

 

Em termos de medicação podemos dizer que há fármacos para o tratamento agudo de crise com comprovada eficácia, e aguarda-se a qualquer momento a comercialização de mais dois tipos novos de medicamentos. Para as pessoas que têm crises muito frequentes ou incapacitantes, pode estar recomendada medicação preventiva, para evitar que a crise ocorra. Existem medicamentos dados por via oral bem estudados e, mais recentemente, surgiram no mercado medicamentos injetáveis. Um deles é a toxina botulínica, também usada em aplicações estéticas, que é particularmente eficaz nas mulheres que sofrem de enxaqueca cronica; e há um novo grupo de fármacos que são uma espécie de uma vacina, ou seja anticorpos contra uma substância que se liberta nas crises e que são muito bem tolerados.

 

Por Isabel Pavão Martins

Neurologista no Hospital CUF Infante Santo e responsável pela Consulta de Cefaleias Hospital de Sta Maria

Professora Associada de Neurologia na Faculdade de Medicina e Instituto de Medicina Molecular, Universidade de Lisboa

 

 

Artigo anterior

Coimbra entre as cidades mais deslumbrantes do país

Próximo artigo

Feira de arte e antiguidades na Cordoaria Nacional