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É proibido envelhecer em Hollywood

A recente polémica à volta da nova aparência da atriz Renée Zellweger voltou a colocar em discussão um dos maiores dramas que a indústria do entretenimento esconde e que muitas artistas tentam remediar com o uso do bisturi: é proibido envelhecer em Hollywood.

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Renée Zellweger apresentou uma nova imagem recentemente durante um evento em Los Angeles. Um evento que, ironicamente, celebrava o sucesso das mulheres na indústria do cinema.

 

Acontece que a sua nova feição tem pouco em comum com a famosa personagem Bridget Jones, que conquistou o coração do público em 2001, cheia de curvas e dada a trapalhadas. O assunto foi “trending topic” mundial no Twitter, com milhares de comentários sobre a mudança de Renée, bem como em todos os meios de comunicação social e restantes redes sociais.

 

“Em Hollywood é rara a atriz que não faz esse tipo de cirurgia. Não conseguem trabalho (se não o fizerem). Os diretores de casting e dos filmes não contratam se a mulher parecer mais velha”, disse à AFP a bloguer Sasha Stone, fundadora do site www.awardsdaily.com. E Zellweger sucumbiu à “obsessão norte-americana”, diz esta especialista em assuntos “hollywoodescos”. “Ao contrário do que acontece no Reino Unido ou em França, nos Estados Unidos, as mulheres não podem envelhecer, são eliminadas”.

 

O mercado pede a eterna juventude

Susan Sarandon, Geraldine Chaplin, Jodie Foster e Sally Field são algumas das atrizes que levantaram as suas vozes contra este fenómeno que dá a reforma às atrizes que  superam a barreira dos 40 anos. Depois de lhes dar a saborear o sucesso e a ganhar os mais importantes prémios, a indústria fecha-lhes a porta à mesma velocidade com que chegam as rugas.

 

Há uma longa lista de artistas que apostaram na magia da cirurgia plástica para rejuvenescer a aparência e manter em alta as possibilidades de trabalho, como Nicole Kidman, Demi Moore, Julia Roberts, Meg Ryan, Sharon Stone, Jane Fonda e Melanie Griffith. “Ao operar, elas têm esperança de conseguir os papéis principais porque não querem fazer de avó”, diz Sasha Stone, para quem “a culpa é dos que fazem os filmes, apesar de dizerem que é do mercado”.

 

E o mercado é dominado por um público masculino jovem que pede muita ação com personagens dinâmicas e fantásticas. A atriz que encarna atualmente o gosto da audiência é Jennifer Lawrence, loira de olhos azuis e 1,75 metro de altura que se transformou em “sex symbol” graças a filmes como “X-Men”, e pode orgulhar-se de ter um Óscar aos 24 anos. A indústria não pressiona da mesma forma os homens, que alcançam os seus maiores êxitos na idade madura. As mudanças estéticas de Mickey Rourke ou John Travolta não levantarama tanta polémica.

 

Da boa assessoria ao erro  

Em 2013, foram feitas nos Estados Unidos 7 milhões de cirurgias estéticas em mulheres entre 40 e 54 anos, 49% do total. As injeções de botox e a reconstrução das pálpebras foram as mais procuradas.

 

O cirurgião plástico Ashkan Ghavami, com um consultório em Beverly Hills frequentado por famosas, acredita que as celebridades devem lidar hoje em dia com a pressão de parecerem sempre maravilhosas. “Hoje existem filmes em alta definição e programas para maquilhar as rugas. Com isso, há muita pressão sobre os famosos para parecerem bem na vida real”, disse o cirurgião à AFP. Mas Ghavami considera que uma boa assessoria é fundamental para que a cirurgia estética seja um sucesso. No caso de Zellweger, “esticou demasiado as pálpebras e colocou muito botox nas sobrancelhas. Por isso, qualquer um pode dizer que ela foi operada”. Atrizes como Diane Keaton, Raquel Welch e Sophia Loren fizeram retoques “no momento apropriado”.

 

Zellweger acabou por atrair um furacão de comentários sobre a sua nova imagem ao dizer que foram apenas mudanças de rotina e que está a cuidar-se mais. “Estou feliz por as pessoas me acharem diferente! Estou a viver uma vida mais plena, diferente, feliz”, disse em entrevista à revista People, apesar de não ter confirmado se realmente sucumbiu aos encantos do bisturi.

 

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