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Entre a introversão e a extroversão, há a ambiversão

Os psicólogos admitem que entre os dois extremos pode existir um traço de personalidade mais equilibrado, que definem como ambiversão

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Se alguém lhe perguntasse se se considera uma pessoa introvertida ou extrovertida, teria dificuldades em responder? Se por vezes se sente muito sociável mas, por outras, prefere estar sozinho, pode ser que, na realidade, a sua personalidade não esteja de acordo com nenhum dos termos. Provavelmente é uma pessoa ambivertida.

O conceito surgiu nos anos 20 quando Carl Jung popularizou os termos extroversão e introversão e um terceiro grupo, ao qual não foi dado nome. Mais tarde, nos a nos 40, os psicólogos começaram a usar o termo ambivertido. Se refletirmos sobre ele, faz todo o sentido existir uma definição que esteja a meio caminho dos dois extremos.

Os especialistas explicam que a introversão ou extroversão surgem numa fase precoce da vida, normalmente ainda na infância, e que são difíceis de alterar. Por um lado, os extrovertidos precisam de ter muitas pessoas à sua volta e de sentir que são o centro das atenções, geralmente formam os seus pensamentos à medida que falam e aborrecem-se sozinhos; por outro lado, os introvertidos preferem passar tempo sozinhos ou num pequeno grupo, pois sentem-se extenuados no meio de uma multidão, além disso pensam longamente antes de falar.

Um ambivertido resulta de uma mistura dos dois traços de personalidade. É isto que pensam os psicólogos e cientistas de comportamento que têm estudado a ambiversão. A pesquisa de Adam Grant, um psicólogo de organizações da Universidade da Pensilvânia, mostra que dois terços da população é ambivertida, enquanto um terço é constituído por introvertidos e extrovertidos.

O fator competitivo

Os especialistas acreditam que o equilíbrio dos ambivertidos pode trazer-lhes vantagens a nível pessoal e profissional por serem pessoas mais adaptáveis.

Estes possuem traços de personalidade de ambos os lados mas nenhum é dominante. Como resultado, os ambivertidos têm personalidades mais equilibradas e não são a pessoa que domina a conversa nem a que se senta quieta a um canto da sala. Os ambivertidos conseguem falar ou estar em silêncio de forma confortável. «É como se falassem duas línguas», explica Daniel Pink, que tem estudado a ambiversão. «Os ambivertidos têm mais qualidades e conseguem criar ligações com mais pessoas.»

Um estudo publicado em junho de 2013 no jornal “Psychological Science”, analisou o comportamento de 340 operadores de chamadas num call-center e descobriu que os que revelaram ser ambivertidos tinham melhores resultados nas vendas.

«Os ambivertidos não oferecem demasiado nem pouco demais», define Adam Grant. O especialista defende que esta acuidade emocional faz dos ambivertidos pessoas mais capazes como cônjuges e pais.

Cuidados a ter

Pode perceber se é ambivertido analisando as suas opções e escolhas. Por exemplo, prefere ir a uma festa ou ficar em casa? Numa festa interage com os outros ou prefere ouvir as conversas? Se a sua resposta está entre as duas opções, é provável que seja ambivertido.
Adam Grant previne para o desafio da ambiversão. Enquanto os extrovertidos e introvertidos geralmente sabem como lidar com determinada situação, os ambivertidos podem sentir dificuldades em tomar uma decisão e sentir-se motivados.
Como tal, analise cada situação individualmente é perceba qual a melhor abordagem. Não sinta que tem de ir para um dos extremos para dar um passo. Se sentir que está constantemente aborrecido ou num impasse, pode ser altura de procurar ajuda.

Por Joana de Sousa Costa

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