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Enfrentar fatores sociais e culturais da diabetes tipo 2 é a chave para o tratamento e prevenção desta patologia

Novos dados apesentados na Reunião Anual da Associação Europeia para o Estudo da Diabetes indicam que a patologia deve ser tratada integrando as culturas e respetivos comportamentos associados dos pacientes. Impulsionada pelo rápido aumento das taxas de obesidade, a diabetes pode afetar 1 em cada 9 adultos em 2045.

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Novos estudos demonstram que os serviços de saúde e as estratégias de saúde destinadas a reduzir a prevalência de diabetes tipo 2 podem revelar-se ineficazes, a menos que abordem fatores sociais e culturais (1). Os investigadores relacionaram fatores como as tradições alimentares e os papéis tradicionais de cada género com o aumento da vulnerabilidade da diabetes nas cidades (1), onde três quartos das pessoas com a doença vão viver até 2045 (3).

 

As descobertas desta pesquisa sobre a alteração da prevalência da diabetes em diferentes cidades, foram apresentadas na 54º Reunião Anual da Associação Europeia para o Estudo da Diabetes (EASD 2018), que decorreu de 1 a 5 de outubro, em Berlim, na Alemanha.

 

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«Durante muitos anos, a diabetes continuou a aumentar a um ritmo alarmante, apesar dos melhores esforços, feitos pelos decisores políticos e profissionais de saúde», diz David Napier, professor de Antropologia Médica da University College London (UCL). «De forma a mudar o panorama desta devastadora e dispendiosa doença, precisamos de pensar de forma diferente e adotar novas abordagens. Quando as estratégias de saúde pública e os planos de cuidados individuais têm em conta as culturas, as convenções locais prevalecentes, e os comportamentos associados, é muito mais provável que tenham sucesso».

 

Impulsionada pelo rápido aumento das taxas de obesidade, a diabetes pode afetar 1 em cada 9 adultos em 2045 – mais de 730 milhões de pessoas (2). Dentro do mesmo prazo, prevê-se que os custos anuais de saúde relacionados com a diabetes aumentem 39%, passando de 775 mil milhões de dólares para mais de 1 bilião de dólares, destacando ainda mais a urgência em agir neste campo (4).

 

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Nos últimos estudos, os investigadores apontaram uma série de fatores sociais e culturais que contribuem para a incidência da diabetes em cidades em todo o mundo (1), nomeadamente, em Copenhaga, as práticas padronizadas de referência médica atuam como barreiras aos cuidados preventivos e serviços para a diabetes; em Houston, as tradições alimentares ligadas com a herança cultural, que por vezes são percebidas como um “conforto”; e na cidade do México, os papéis tradicionais de género limitam o autocuidado em casas exclusivamente masculinas, pois alguns homens não estão dispostos a ajudar outro homem que tenha diabetes.

 

Um segundo estudo apresentado pelos investigadores do Cities Changing Diabetes no EASD 2018 demonstrou que as taxas da diabetes e da obesidade estão a aumentar em todo o mundo. A América do Norte e a Europa, locais onde se tem registado um aumento da obesidade, registam uma maior prevalência futura da diabetes tipo 2, mas espera-se que este aumento seja mais lento (5). Por outro lado, África está projetada para ter um aumento de quase três vezes no número de pessoas que vivem com diabetes, pois à medida que a população envelhece a prevalência da obesidade aumenta5. Se se conseguisse uma redução de 25% da prevalência da diabetes tipo 2 no continente iria resultar em menos 15.3 milhões de pessoas com diabetes tipo 2 in 2045 (5).

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