Enfarte Agudo do Miocárdio. Risco é maior em mulheres, mas sintomas passam mais facilmente despercebidos
O enfarte agudo do miocárdio, popularmente conhecido por ataque cardíaco, acontece quando há um entupimento súbito de uma das artérias coronárias e, consequentemente, há um bloqueio do acesso de sangue e oxigénio a uma zona do músculo cardíaco.
Todos os anos morrem cerca de 17 milhões de pessoas devido a doenças cardiovasculares, a principal causa de morte em todo o mundo, sendo que as mais preocupantes são as que afetam as artérias do coração ou do cérebro.
Em causa está o facto de, quando estes vasos são obstruídos, poder ocorrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou um Enfarte Agudo do Miocárdio (EAM), que tem um maior risco em mulheres. No entanto, é também no sexo feminino que os sintomas passam mais facilmente despercebidos ou são menosprezados.
O enfarte agudo do miocárdio, popularmente conhecido por ataque cardíaco, acontece quando há um entupimento súbito de uma das artérias coronárias e, consequentemente, há um bloqueio do acesso de sangue e oxigénio a uma zona do músculo cardíaco.
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Isto acontece porque, ao funcionar como uma bomba, o coração tem como principal objetivo enviar o sangue para o resto do corpo, o que deixa de ser possível quando partes do coração deixam de ser irrigadas e entram em falência.
Sintomas do EAM
A causa mais comum deste evento cardiovascular que necessita de atenção médica imediata é precisamente o bloqueio das artérias coronárias por placas de aterosclerose, uma doença que se caracteriza pela acumulação de gordura e colesterol nos vasos sanguíneos.
Dor no peito (sensação de aperto, peso ou queimadura) e que geralmente irradia para o braço esquerdo, transpiração, náuseas, vómitos e dor que pode ser confundida com indigestão, são alguns dos sintomas do EAM.
No entanto, há casos em que o enfarte do miocárdio se pode manifestar com sintomas menos típicos, como cansaço anormal e sensação de peso no peito, sintomas que podem facilmente ser menosprezados, dificultando o diagnóstico atempado. O risco é maior no sexo feminino, em diabéticos e em idosos.
Como tal, importa saber quais são os principais fatores de risco e como os prevenir. Excesso de peso, colesterol elevado, ser fumador, hipertensão e diabetes mellitus são fatores que podem levar ao EAM se não forem controlados.
Para isso, importa adotar um estilo de vida saudável e alguns comportamentos que podem ajudar a reduzir o risco do enfarte agudo do miocárdio:
- Adotar uma dieta mediterrânica: aumentar a ingestão de vegetais, leguminosas e cereais integrais, diminuir a de gordura saturada, e reduzir o consumo de produtos animais são alguns cuidados que serão benéficos a longo prazo;
- Não comer demais: o excesso de peso e a obesidade elevam não só a pressão arterial e o colesterol, como também aumentam o risco de diabetes, todos eles são fatores de risco para o EAM;
- Reduzir o consumo de sal: o consumo de sal relaciona-se intimamente com a hipertensão arterial, pelo que a redução deste é igualmente benéfica; Sabemos que a grande maioria do sal consumido vem a partir de produtos processados (bolachas, batatas fritas, etc.), pelo que confecionar refeições em casa e reduzir a ingestão de processados pode ajudar.
- Praticar exercício físico: manter-se ativo é essencial para manter um peso saudável e regular. Não é necessário ir correr nem estar num ginásio, basta uma boa caminhada de pelo menos 30 minutos por dia e 5 vezes por semana para se manter ativo. Além disso, ajuda também pode beneficiar a saúde mental.
- Cumprir as indicações relativas à medicação: quando indicado, é essencial cumprir todas as indicações relacionadas com a medicação para controlar a hipertensão arterial, a diabetes ou o colesterol elevado, de forma a prevenir e adiar complicações. Adicionalmente, é essencial visitar regularmente o seu médico assistente para avaliação de fatores de risco e eventual necessidade de realizar exames de rotina.
Por Margarida Santos
Médica Interna de Medicina Geral e Familiar
