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Endometriose: tratamentos médicos e cirúrgicos

A endometriose é uma doença que se define pela presença do endométrio – tecido que reveste o interior do útero – fora da cavidade uterina, ou seja, em outros órgãos da cavidade pélvica: ovários, trompas, bexiga e intestinos. Conheça os vários tratamentos.

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1 – TRATAMENTO MÉDICO

Terapêuticas com efeito hormonal

Agonistas de GnRH

Os agonistas da hormona libertadora de gonadotropina (GnRH) causam dessensibilização hipofisária e assim, induzem ao desaparecimento da menstruação (amenorreia). Eles podem ser administrados mensalmente ou de três em três meses e isso ajuda a adesão ao tratamento. Os efeitos secundários mais frequentes são aqueles que estão relacionados com a deficiência de estrogénio: afrontamentos, diminuição da líbido, acne e pele oleosa. Vários esquemas terapêuticos têm sido propostos, nos quais os 17 – progestagénios “add-back ” ou os estrogénios têm sido utilizados para prevenir a perda óssea e outros efeitos a longo prazo do hipoestrogenismo. Doses pequenas são geralmente usadas, por exemplo um comprimido diário de tibolona, ou etinilestradiol 20 µg por dia. Estas terapêuticas adjuvantes são sobretudo relevantes para o tratamento crónico da endometriose em mulheres que experimentam dor, mas, é importante não esquecer, que vários estudos não recomendam o uso prolongado de agonistas de GnRH antes dum tratamento de FIV.

 

Danazol

Danazol é um preparado de esteróides anabolizantes sintéticos que também exerce uma acção anti-progestogénica e anti-estrogénica. Inibe a secreção de gonadotrofinas e também tem efeitos androgénicos. Ambos, o danazol e os agonistas de GnRH suprimem a actividade da doença e os níveis de autoanticorpos contra o endométrio. A eficácia correlaciona-se com a obtenção de amenorreia, que geralmente é induzida após 8 semanas de administração, embora a dose inicial (200 mg / dia) por vezes tenha de ser aumentada para 600-800 mg / dia. Os efeitos colaterais podem ser problemáticos e são secundários às propriedades anabólicas e androgénicas da droga. Estes incluem afrontamentos, acne, pele oleosa, hirsutismo, aprofundamento da voz, diminuição da libido, ganho de peso, náusea, dor de cabeça e câimbras musculares. Por causa dos efeitos secundários, é prática na comunidade médica não se usar o danazol como terapia de primeira linha no tratamento da endometriose.

 

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Eficácia

Os agonistas de GnRH e o danazol foram comparados em vários estudos científicos e parecem ser igualmente eficazes na redução da endometriose em cerca de 50% e alcançar remissão da doença em cerca de 25% dos casos. Tanto a gestrinona quanto o acetato de medroxiprogesterona (AMP) parecem ser tão eficazes quanto os agonistas de GnRH e o danazol, em relação aos achados observados na laparoscopia no controlo pós-tratamento.

 

2 – TRATAMENTO CIRÚRGICO

Para a maioria das mulheres com endometriose moderada a severa, o tratamento mais eficaz é a remoção ou eliminação cirúrgica do tecido endometrial ectópico e dos endometriomas. Normalmente, esses procedimentos cirúrgicos são feitos por uma laparoscopia abdominal, através de uma pequena incisão feita próxima ao umbigo. Esse tratamento poderá ser necessário nos seguintes casos:

  • Quando a terapia com medicamentos não conseguiu aliviar os sintomas da doença sobretudo a dor abdominal/ pélvica e a dor durante as relações sexuais;
  • Quando o tecido endometrial ectópico bloquear uma ou ambas as trompas de Falópio;
  • Quando há quistos de endometriose nos ovários (endometriomas) com mais de 3 cm;
  • Quando a endometriose causa infertilidade e a mulher deseja engravidar;

 

A terapia cirúrgica da endometriose pode ser realizada no momento da laparoscopia diagnóstica, contudo é fundamental que tenha sido dada essa informação ao paciente e obtido o consentimento adequado por parte dele. Durante uma laparoscopia diagnóstica a excisão de endometriose ligeira apenas acrescenta mais 15 ou 20 minutos à intervenção. Contudo quando a doença apresenta formas graves, mesmo sem sinais ou sintomas pré-existentes, é necessária uma discussão detalhada com a paciente antes de prosseguir para uma cirurgia mais extensa e complicada.

 

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O tratamento médico pré-operatório da endometriose grave reduz a vascularização e pode facilitar a cirurgia, mas, por outro pode dificultar a recuperação dos tecidos. Vários estudos publicados compararam a terapia médica pré-cirúrgica com cirurgia isolada e alguns deles demonstraram a melhoria na resposta no grupo que efectuou terapêutica médica. Uma outra publicação revelou que a terapêutica hormonal pós-cirúrgica da endometriose comparada com cirurgia isolada mostrou uma melhoria na taxa de recorrência da doença.

 

Há também evidências dadas por uma revisão da Cochrane que as taxas de gravidez clínica são significativamente mais altas nas mulheres que recebem agonistas de GnRH. A excisão com laser de CO2 parece alcançar melhores resultados que a eletrocirurgia, já que tem uma profundidade de penetração e proporciona maior controle e precisão. Parece estar também comprovado que a cirurgia excisional para endometriomas com mais de 3 cm de tamanho fornece resultados mais favoráveis do que a simples drenagem, em relação à taxa de recorrência, aos sintomas de dismenorreia e dispareunia e ao aumento da taxa de gravidez espontânea.

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