Home»ATUALIDADE»ESPECIALISTAS»Endometriose: como se trata segundo um ginecologista

Endometriose: como se trata segundo um ginecologista

A endometriose é uma doença que se define pela presença do endométrio – tecido que reveste o interior do útero – fora da cavidade uterina, ou seja, em outros órgãos da cavidade pélvica: ovários, trompas, bexiga e intestinos.

Pinterest Google+

A abordagem terapêutica da endometriose depende dos problemas particulares de cada paciente, isto é especificamente se o seu problema é a dor pélvica ou se por exemplo está a tentar engravidar e não consegue. A dor pélvica crónica pode originar fadiga, insónia e depressão e alterar o desempenho e as rotinas diárias da mulher. A terapêutica deve ser, sem dúvida alguma, personalizada e a seriedade dos sintomas, o desejo de gravidez, os gastos com a medicação e os efeitos adversos devem condicionar as opções.

 

Se a fertilidade é necessária, mas a dor é a complicação principal, então o tratamento é usualmente com analgésicos, de forma isolada ou combinados com tratamento cirúrgico. Os analgésicos apropriados incluem os anti-inflamatórios não esteróides (o naproxeno e o ácido mefenâmico são particularmente eficazes). Existem evidências de que os anti-inflamatórios não esteróides (AINEs) inibem o processo de ovulação, mas a dor provocada pela endometriose geralmente ocorre no momento da menstruação e não no meio do ciclo e portanto, estes medicamentos devem ser seguros em mulheres que desejam engravidar.

 

Ao avaliar o resultado do tratamento da endometriose, é essencial distinguir entre a regressão visível da doença, avaliada idealmente pela laparoscopia ou pela RMN / ecografia endovaginal 3D, e o resultado desejado, isto é, alívio da dor e/ou gravidez. Todavia as laparoscopias são geralmente reservadas para pacientes dentro de ensaios clínicos, em vez de fazerem  parte da prática clínica de rotina.

 

VEJA TAMBÉM: ENDOMETRIOSE: COMO SE FAZ O DIAGNÓSTICO

 

Terapêuticas com efeito hormonal

Os medicamentos que presentemente são usados para o tratamento desta doença ou induzem um ambiente hiperprogestagénico (estroprogestativos e progestativos) ou provocam uma diminuição dos níveis de estrogénio no organismo (agonistas da GnRh). É preciso ter a noção de que todas estas terapêuticas são apenas supressoras e não curam a endometriose, pelo que a reincidência é comum após a paragem da medicação, isto é, o tratamento médico parece não impedir a progressão da doença. Sendo assim o terapêutica médica da endometriose deve ser considerada uma terapia de longa duração. O principal objetivo do tratamento é aliviar a dor e atenuar outros sintomas, incrementar a probabilidade de gravidez e diminuir, se possível, as lesões endometrióticas.

 

Estroprogestativos

Os estroprogestativos, quando a mulher não pretende engravidar, são normalmente a primeira linha para a terapia da dor pélvica crónica relacionada com endometriose. Estes pela sua ação anti-gonadotrófica reduzem a produção de estrogénios e promovem a decidualização, induzindo a atrofia dos implantes de endometriose.

 

Os contracetivos orais combinados (COC) são eficientes no controlo da dor pélvica e da dismenorreia em mais de 80 % das mulheres e podem ser tomados de forma cíclica ou contínua. Parece não existirem diferenças significativas, em relação à eficácia na dor, entre os diversos contracetivos hormonais, sendo válida também a utilização do anel vaginal e do patch transdérmico.

 

VEJA TAMBÉM: PÍLULA ININTERRUPTA: SIM OU NÃO?

 

O uso de COC tem como efeito uma redução do sangramento menstrual e as taxas de endometriose em mulheres que estão a tomar estes medicamentos ou que pararam recentemente são baixas, em comparação com aqueles que interromperam o COC  por mais de 12 meses. Alguns estudos demonstraram que os COC tomados de forma contínua (sem o período de pausa) foram mais eficazes no alívio da dor.

 

Os COC são habitualmente bem tolerados, com poucos efeitos secundários, podem ser administrados por longos períodos, são bastante económicos e permitem um melhor controlo do ciclo do que os progestativos e com menor incidência de hemorragias uterinas anómalas. Contudo vários estudos indicam que o seu uso não está associado a uma melhoria da fertilidade. Até hoje não se sabe ao certo se os contracetivos combinados orais devem ser prescritos profilacticamente em mulheres com história familiar pesada de endometriose.

Artigo anterior

Visita guiada às melhores praias da Europa

Próximo artigo

Os benefícios de beber cerveja: 10 factos comprovados pela ciência