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Endometriose: como se faz o diagnóstico

A endometriose é uma doença que se define pela presença do endométrio – tecido que reveste o interior do útero – fora da cavidade uterina, ou seja, em outros órgãos da cavidade pélvica: ovários, trompas, bexiga e intestinos.

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A endometriose pode causar dor na região pélvica, que se pode manifestar de diferentes formas, infertilidade ou a associação das duas. Assim as manifestações mais usuais da doença são:

 

– Cólicas e dores menstruais de diferente intensidade

– Algias pré-menstruais

– Dor nas relações sexuais

– Dor pévica crónica

– Hemorragia menstrual abundante e irregular

– Queixas do foro intestinal e urinário durante a menstruação

– Fadiga e cansaço crónicos

– Dificuldade em engravidar e infertilidade

 

Diagnóstico

O diagnóstico da endometriose é difícil de ser realizado por meio de exame físico e ginecológico, isto é, numa consulta de rotina. Sendo assim, exames imagiológicos como a ecografia pélvica endovaginal e a ressonância magnética nuclear são mais indicados para demonstrar a presença da doença.

 

Existem também exames laboratoriais específicos que podem ajudar a confirmar o diagnóstico de endometriose. Contudo o diagnóstico rigoroso da doença é feito por laparoscopia ou laparotomia (através da visualização direta das lesões e colheita de material para análise histo-patológica) e proporcionando ambas o tratamento cirúrgico.

 

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A via laparoscópica é mais vantajosa que a abordagem por laparotomia, porque permite um menor tempo de hospitalização, anestesia e recuperação, além de possibilitar, na maioria dos casos uma melhor visualização dos focos da doença. Avaliação laparoscópica cuidadosa da pelve revela sinais de endometriose em até 20% das mulheres com fertilidade comprovada.

 

Embora várias teorias tenham sido propostas para explicar a gênese desta doença, a hipótese da menstruação retrógrada é a mais popular e plausível. A menstruação retrógrada (saída de sangue menstrual pelas trompas para dentro da cavidade pélvica) é comum, sendo vista em 75-90% das mulheres que realizaram laparoscopias na altura da menstruação. Contudo o sangue menstrual nem sempre contém células endometriais e os fatores que influenciam a implantação do endométrio ectópico são incertos, pois a prevalência de endometriose foi estimada em apenas 5 % a 20% destas mulheres. Por outro lado, as mulheres com endometriose parecem ter a função imunológica alterada, o que poderia propiciar a implantação de endométrio “regurgitado”.

 

Alguns estudos indicam que as mulheres com endometriose sintomática podem ter uma disposição genética para que o endométrio se implante no peritoneu (tecido que reveste todos órgãos da cavidade abdominal) e parecem ter também uma disposição adicional para uma resposta inflamatória às mudanças cíclicas que ocorrem no endométrio ectópico.

 

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Um dado clínico bem conhecido da endometriose é que o seu grau de gravidade não se correlaciona com sintomatologia: dor pélvica, dispareunia e dismenorrria (uma mulher com endometriose grave pode ter muito poucas queixas). Por outro lado, não é possível prever quais as pacientes que irão desenvolver gradualmente a doença com o aparecimento de quistos ováricos (endometriomas) e aderências pélvicas.

 

É fácil imaginar que a endometriose grave possa afetar a fertilidade, distorcendo a anatomia da região pélvica, levando à formação de quistos ováricos e de aderências que alteram os ovários e trompas. Vários estudos indicam que a endometriose pode existir em 20 a 50 % das mulheres com infertilidade.

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