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Emprego das mulheres tem de crescer três vezes mais depressa para cumprir metas de paridade da UE

Novo relatório Eurofound e do Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia destaca que o papel do Estado como empregador tem sido crucial para impulsionar o emprego das mulheres.

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O emprego das mulheres terá de aumentar a uma taxa, pelo menos, três vezes mais rápida do que a dos homens até 2030, a fim de cumprir as metas da União Europeia de atingir uma taxa de emprego global de 78% e de redução para metade das disparidades de emprego entre homens e mulheres, estabelecidas no Pilar Europeu do Plano de Acão dos Direitos Sociais. A disparidade de género no emprego tem-se mantido estável desde 2014, tendo reduzido menos de 12%.

 

Estas conclusões são detalhadas no European Jobs Monitor 2021, um relatório conjunto da Eurofound – Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e de Trabalho e do Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia, agora publicado.

 

A pesquisa conjunta examina os impactos das mudanças nos contornos da oferta de trabalho ao longo dos últimos 25 anos na Europa, com análises adicionais dos impactos da pandemia de COVID-19. O foco principal da pesquisa é o género, com um foco secundário no envelhecimento.

 

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Diz o relatório que dois em cada três novos empregos líquidos na UE nas últimas duas décadas foram ocupados por mulheres, sendo que este aumento foi mais forte entre as mulheres com 30 a 49 anos e com mais de 50 anos.

 

O aumento do emprego feminino teve o maior impacto no topo e na base da distribuição salarial, levando a empregos de baixa remuneração, anteriormente dominados por homens e que passaram a ser dominados por mulheres. Embora o resultado tenha sido uma redução das disparidades de género no emprego, o relatório evidencia que estas ainda persistem em quase todos os Estados-Membros da UE.

 

Outra conclusão indica que o papel do Estado como empregador tem sido crucial para impulsionar o emprego das mulheres. As mulheres beneficiaram mais do que os em três setores predominantemente pagos pelo Estado – administração pública, saúde e educação – sendo responsáveis ​​pela maior parte do crescimento recente do emprego em empregos bem pagos entre as mulheres.

 

Os primeiros impactos da COVID-19 no emprego em geral foram sentidos de forma mais acentuada pelos trabalhadores com baixa remuneração, especialmente mulheres, destaca também o relatório.

 

Mulheres recebem menos 14% de salário

Em 2019, o salário médio por hora das mulheres na UE era 14% inferior ao dos homens. Nos Estados-Membros, as disparidades salariais entre homens e mulheres eram mais amplas na Áustria, Estónia, Alemanha e Letónia, com cerca de 20%, e mais reduzidas em Itália, Luxemburgo e Roménia, com menos de 5%.

 

Embora as mulheres superem os homens em educação, isso permanece sem reflexo em termos de salários mais altos. O alto desempenho educacional das mulheres, no entanto, evita uma disparidade salarial ainda maior em quase todos os Estados-Membros.

 

A disparidade salarial entre homens e mulheres na UE é maior entre os trabalhadores com salários mais elevados. A proposta de diretiva da UE para introduzir medidas vinculativas de transparência salarial e mecanismos de execução em toda a UE terá como objetivo abordar as diferenças salariais opacas em empregos bem remunerados.

 

A persistência da segregação de género no trabalho é um forte sinal de que sistemas de educação e formação mais dinâmicos e outros incentivos serão necessários para encorajar homens e mulheres jovens (15–29 anos) a envolverem-se em atividades dominadas pelo outro género.

 

Sobre o relatório, o diretor executivo da Eurofound, Ivailo Kalfin, disse: «A segregação de género é uma questão que deve ser abordada nas políticas e práticas de emprego, não apenas para atingir as metas da UE, mas para ter um mercado de trabalho na Europa que funcione para ambos, mulheres e homens. Esta investigação conjunta entre a Eurofound e o Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia fornece passos práticos neste sentido».

 

Stephen Quest, diretor-geral do Centro Comum de Pesquisa da Comissão Europeia, disse: «Embora a redução da disparidade de género permaneça claramente um grande desafio, há sinais positivos, como o emprego das mulheres ser alto em setores que provavelmente continuarão a crescer no futuro. Estas, juntamente com outras descobertas, são particularmente úteis para os formuladores de políticas. Ajuda-nos a avaliar se as nossas políticas estão a ter o efeito desejado nos mercados de trabalho da Europa e a identificar onde concentrar os esforços futuros».

 

 

 

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