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Em nome das marcas, manifestem-se!

O consumidor toma as suas decisões movidas pela emoção e não tanto pela lógica. Não é suficiente demonstrar os benefícios e características dos produtos para despertar o interesse do consumidor. É preciso criar uma ligação emocional com ele.

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Sento-me em frente ao computador a pensar o que tenho de interessante para vos contar. Estamos na última semana do ano e até já falámos sobre as tendências para 2022. Eu não gosto particularmente de fazer retrospetivas do ano que termina e, por isso, não consigo encher estas linhas a falar do que de bom aconteceu em 2021 (porque o mau não é para aqui chamado. Xô, coisas más, xô!).

 

Estamos todos cansados (este ano só teve mesmo os 364 dias que já passaram? Sinto que foram 600!) e já sabemos que o cansaço é inimigo da criatividade (aproveito para vos sugerir a leitura do livro do fantástico Jonh Cleese, “Criatividade”. Segundo o autor, todos podemos ser criativos. Adoro um bom otimista!).

 

Neste processo, de tentar escrever algo útil, recordei o meu amigo Tiago que, odiando manifestos, me lembrou que são uma forma fantástica de falar sem dizer nada 😄. Um dia ainda vamos os dois escrever um manifesto tão bom que nos vamos orgulhar dele, ao invés de o odiar. O que achas, Tiago? Já agora, cumpriu-se a premissa de que 2021 ia ser rico em manifestos, daqueles ‘mesmo’ bons? Daqueles em que nada se diz, mas se fala muito?

 

VEJA TAMBÉM: EMOJI MARKETING: VAMOS COLOCAR UM ☺ OU UM ❤ NA NOSSA MARCA!

 

O consumidor, como já vimos tantas vezes, toma as suas decisões movidas pela emoção e não tanto pelos factos ou pela lógica. Pode ser discutível, sabemos. A verdade é que a estatística nos diz (aos marketers) que não é suficiente demonstrar os benefícios e características dos produtos para despertar o interesse do consumidor. É preciso criar uma ligação emocional com ele e, essas emoções, são transmitidas através de todo e qualquer contacto do consumidor com a marca, seja através das operações comerciais, seja através da atividade de marketing.

 

É, por isso, importante, que a marca tome uma posição e defina os seus ideais e aspirações, numa declaração pública de propósito e intenção. Isto, meus amigos, é o manifesto da marca!

 

O que é um manifesto da marca?

Um manifesto é uma declaração simples dos motivos, objetivos e valores da marca. Se bem feito, deverá inspirar não só os clientes, como os colaboradores, futuros clientes e talentos.

 

Tem de ser autêntico (e único), e hoje já não basta “ser diferente” porque os consumidores são inundados diariamente de mensagens de marcas que ‘tentam’ ser diferentes. O manifesto deve dizer, a todos os que interagem com a marca, o que ela representa, sem medo de mostrar as suas fragilidades, e apelar ao impulso emocional.

 

Importa dizer que um manifesto não é uma declaração de missão!

 

Como escrever um manifesto de marca?

Um manifesto deve ter valor emocional para criar ligação com o consumidor. Deve ser consistente, inspirador e criativo. Para escrever um bom manifesto (vá, um manifesto razoável), devemos conseguir responder a algumas questões:

– O que a minha marca pode fazer de diferente?

– Porque é que o consumidor se deve preocupar com a minha marca?

 

Esta ideia vem da noção de que o consumidor se liga mais aos “porquê” do que aos “o quê” ou ao “como” e isso está associado à biologia humana. Esta parte mais primitiva do cérebro controla a tomada de decisões e também as emoções e sentimentos. ‘Tcharan’! É aqui que queremos chegar!

 

Para além disso, o manifesto deve:

Definir objetivos e intenções, tem de ter energia e ação;

Ouvir múltiplas opiniões, mais cabeças pensam melhor que uma só e, olhar para a marca de diferentes perspetivas pode dar ideias que antes não nos tínhamos lembrado;

Ter em conta o consumidor tipo, pois faz parte integrante da identidade da marca. É crucial conhecer quem é o cliente, o que faz, em que acredita, como se comporta e quais são os seus valores;

Desenvolver uma atitude. Como na vida, num manifesto de marca temos de marcar posição, sem medos. Gritar a alta voz a nossa opinião. Se dúvidas houver sobre o que é isto de ter uma atitude, basta pensar na Nike e no “Just do it” ou na Adidas e no “Impossible is nothing”;

Descrever como pode melhorar a vida do consumidor. Como é que a sua marca pode mudar a vida do consumidor? Agora explique-o de forma criativa e apaixonada no seu manifesto;

Enumerar os valores da marca, aqueles que permitem construir uma imagem e apresentar mensagens que ressoam num grupo específico de consumidores. O manifesto da marca é onde os valores devem brilhar;

Ser bem-apresentado. Nem sempre, mas muitas vezes, a aparência importa! Um manifesto pode ter vários formatos, ser apresentado num anúncio, num vídeo, numa apresentação, num website. A escolha é do marketer. Mas tem de ser feito com inspiração e alegria. Tem de ter emoção e vir do coração (opa, rimou!)

 

Depois destas dicas só resta sentar, encher o copo de vinho e soltar a veia criativa. Se no final conseguirmos humanizar a marca, deixar cair uma lágrima, uma risada ou uma dança meio tola, bem, aí conseguimos não um “manifesto razoável”, mas um “manifesto bom”!

 

Em jeito de exercício refletivo e de arranque de ano, segue um mini manifesto pessoal para 2022:

Aprender. fazer. ensinar. família primeiro. viver. amar. viajar. ler. escrever. ouvir músicas novas. cozinhar. exercitar. aproveitar o sol. rir. dormir. estar. brincar. trabalhar muito quando tiver de ser. lembrar. relaxar muito também quando tiver de ser. beber sempre bom vinho. reunir os amigos. sonhar. respirar (fundo). ser feliz.

 

Este será parte do meu manifesto para 2022. E o vosso?

Vemo-nos em 2022, com mais novidades sobre marcas, marketing e consumo.

Até lá, Feliz Ano Novo!

 

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