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E quando não nos conseguimos conectar com o momento presente?

Vivemos na era da distração: olhamos para o passado e para o futuro acreditando que o momento presente não é suficiente, quando, na verdade, é tudo o que precisamos.

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Já parou para pensar que, muitas vezes, anseia tanto por algo ou algum momento (ex. visitar os pais ou ir de férias), mas acaba por não o aproveitar plenamente quando o presencia, uma vez que não consegue desfocar a atenção das suas preocupações?

 

Ora, com certeza são poucas as vezes em que vive concentrado(a) no momento presente. A sua mente saltita de um lado para o outro, recordando a performance que teve na apresentação/reunião de ontem, ou preocupando-se com a quantidade de tarefas que tem de fazer nos próximos dias de trabalho.

 

Este vaivém dos seus pensamentos provoca muito ruído mental, muitas vezes ensurdecedor, que o(a) distrai, assim como ansiedade, que acaba por impedi-lo(a) de usufruir verdadeiramente da magia do agora. Deste modo, viver refém das preocupações e expectativas da sua mente potencia um verdadeiro mal-estar psicológico.

 

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Neste sentido, viver no momento presente significa encaminhar toda a sua atenção para o momento que está a experienciar, aproveitando cada instante, cada emoção, cada conversa e cada aprendizagem, enquanto evita pensar no passado ou no futuro.

 

Mas… por que não consegue viver no momento presente?

 

O Ser Humano, ser complexo e sofisticado, dotado de consciência, tem uma severa dificuldade em desfrutar do agora, dado que a sua mente foi programada evolutivamente para considerar as aprendizagens do passado e para planear a defesa constante a ameaças futuras. Porém, a nossa sociedade atual, cada vez mais híper-estimulada e híper-conectada, faz com que esta vivência do presente com um foco nas preocupações do passado ou do futuro seja a regra e não a exceção.

 

Para além disso, a sua mente é mestre em hipotetizar os piores cenários possíveis, quando imagina o futuro, e em catastrofizar, quando analisa as situações do passado – gerando níveis de ansiedade e stress constantes, por eventos que, na maioria das vezes, só existem na sua mente.

 

Então… como pode contrariar esta tendência natural da sua mente e conectar-se com o momento presente? Viver no momento presente não é uma missão simples e exige dedicação.

 

Um dos métodos mais recomendáveis para sair da prisão da sua mente é o Mindfulness – o estar com atenção plena, da maneira mais consciente possível –, que objetiva que, de forma intencional, sinta, oiça e viva plenamente a situação presente. A atenção plena é uma prática e, acima de tudo, uma forma de estar, pelo que cultivá-la implica um processo que se desenvolve e aprofunda com persistência e treino: será tanto mais benéfica, quanto mais for encarada como um compromisso sério, que requer um certo grau de firmeza e disciplina.

 

A prática de Mindfulness pode ser realizada de diferentes formas, sendo que nenhuma é mais certa do que a outra – o objetivo é que as experiencie e perceba aquela que mais sentido e resultados lhe traz. De seguida, encontra alguns exercícios simples de Mindfulness para iniciantes, que pode aplicar no seu dia-a-dia.

 

1- Atividade rotineira consciente

Faça uma lista de rotinas diárias (ex. lavar os dentes, momento se skincare) e escolha uma das atividades para, durante a semana, praticar com atenção plena, pelo que deve fazê-la como se fosse a primeira vez: identifique para onde vagueia a sua mente quando lava os dentes e traga-a de volta para o presente; e preste atenção a toda a experiência (sabor da pasta de dentes, sensação da espuma que se forma na boa, os movimentos da língua durante o processo…).

 

2- Body Scan

Escolha um local tranquilo e deite-se de forma confortável. Preste atenção às várias partes do seu corpo e às sensações corporais:

Ao seu corpo a encostar-se ao chão/ colchão;

À respiração: sinta o abdómen a mover-se com a entrada e saída de ar;

Às sensações na sua face, nos seus braços e pernas.

3- Libertador de hábitos

Pense em hábitos diários (ex. trajeto para o trabalho), escolha um e liberte-se dele: decida fazê-lo de forma diferente (ex. um trajeto distinto para o trabalho). Este exercício permitir-lhe-á prestar atenção ao modo como viver em piloto automático lhe traz conforto e previsibilidade – o que não é necessariamente mau; porém, retira-lhe atenção e consciência plenas.

 

4- Escuta consciente

Durante uma conversa, é comum a mente divagar. Por vezes, apercebe-se que não ouviu o que alguém disse por estar focados na resposta que vai dar, ou nas suas preocupações pendentes. Por isso, nos próximos dias, preste atenção às suas conversas: ao que é dito e à forma como é dito, aos pensamentos e às emoções que surgem.

 

5- Grounding visual

Sente-se, feche os olhos e respire fundo duas vezes. Abra os olhos e procure, ao seu redor, cinco objetos: observe-os como se os visse pela primeira vez. Repare no tamanho, na cor, nos relevos, na forma ou nos brilhos. De seguida, construa uma descrição mental de cada um desses objetos, como se tivesse de os descrever a alguém que nunca os viu, e que não sabe o que são.

 

6- Grounding auditivo

Sente-se num lugar calmo e permaneça imóvel, de olhos fechados e em silêncio durante um minuto. Depois procure, à sua volta, um som – qualquer som – e concentre-se nele: que ritmo tem? Que velocidade? É contínuo ou intervalado? Que emoções lhe traz?

 

As técnicas apresentadas premeiam o treino da sua atenção, de modo a instruir o seu cérebro a focar-se numa única tarefa, enquanto a presencia, para que possa aproveitar a vida na sua plenitude. Lembre-se que o início será difícil, uma vez que notará como os seus pensamentos e foco atencional estão habituados a saltitar livremente de uma recordação para a outra, sem que possa fazer algo, a não ser reconduzi-los com amabilidade. Ainda, recorde-se que o treino é a chave e, pouco a pouco, notará a sua mente cada vez mais concentrada no momento presente.

 

Saia das tendências da sua mente e viva o agora: o momento mais precioso da sua vida.

 

Por Cláudia Venâncio

Psicóloga clínica

 

 

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