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É oficial: dormir horas a mais também tem consequências para a saúde

Já é de conhecimento público que dormir menos de sete horas é prejudicial para a saúde. O que não se sabia era que dormir menos de seis e mais do que dez constitui uma desordem de ordem metabólica que pode originar sérios problemas de saúde. Esta é a conclusão de um novo estudo da Faculdade de Medicina da Universidade Nacional de Seul, na Coreia do Sul.

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Os investigadores de um novo estudo, publicado no jornal BMC Public Health, descobriram que o facto de dormir mais de dez horas por dia está associado à presença da síndrome metabólica e aumento dos níveis de triglicerídeos e açúcar no sangue nos homens, bem como baixos níveis de colesterol “bom” (HDL, sigla inglesa para High-density lipoprotein) nas mulheres. Quase 11% dos homens e 13% das mulheres dormiam menos de seis horas, enquanto 1,5% dos homens e 1,7% das mulheres dormiam mais de dez horas.

 

Além disso, os cientistas também sustentaram que os homens que dormiam menos de seis horas estavam mais propensos a ter síndrome metabólica e uma maior circunferência da cintura, comparativamente aos indivíduos que dormiam entre seis e sete horas por dia. Já as mulheres que tinham hábitos de sono semelhantes eram ‘apenas’ mais propensas a ter uma cintura mais larga.

 

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A principal autora do estudo, Claire E. Kim, da Faculdade de Medicina da Universidade Nacional de Seul, na Coreia do Sul, explicou que este «é o maior estudo que examina uma relação entre a dose e a resposta da duração do sono e a síndrome metabólica e os seus componentes no género feminino e masculino, separadamente. Como conseguimos expandir a amostra do nosso estudo anterior, conseguimos neste estudo mais recente detetar associações entre o sono e a síndrome metabólica nunca antes percebidas».

 

Continua explicando que os cientistas observaram uma possível diferença de género entre duração do sono e a síndrome – as mulheres que tinham esta síndrome dormiam mais do que o recomendado (entre 7 e 8 horas) e os homens que sofriam desta doença dormiam menos.

 

A Fundação Portuguesa de Cardiologia explica o que é, afinal, esta síndrome: «A síndrome metabólica é um conjunto de fatores de risco, essencialmente cardiovasculares, que têm por base a obesidade abdominal. Os indivíduos portadores desta síndrome podem desenvolver uma doença cardiovascular e diabetes, mesmo quando os fatores de risco estão apenas um pouco acima do recomendado. A síndrome metabólica não dá sintomas e tem como único sinal a presença de um abdómen proeminente e afeta mais de um terço da população portuguesa adulta».

 

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De volta ao estudo coreano, baseado em definições comuns, os participantes foram considerados como tendo síndrome metabólica por apresentarem pelo menos três dos seguintes sinais ou sintomas: uma grande circunferência da cintura, elevados níveis de triglicerídeos, baixos níveis de colesterol “bom”, hipertensão e glicémia alta, em jejum. A prevalência da síndrome metabólica foi de pouco mais de 29% nos homens e 24,5% nas mulheres. Os autores sugerem que, como a prevalência da síndrome metabólica na Coreia é alta é crucial identificar os fatores de risco passíveis de serem alterados, como a duração do sono, com vista a diminuir a incidência desta síndrome.

 

Para que fosse possível obter esta conclusão, os investigadores utilizaram dados de um estudo comunitário de grande escala levado a cabo na Coreia entre 2004 e 2013, nos quais constavam informações relevantes, como características sociodemográficas dos ambientes em que os participantes estavam inseridos, o seu historial médico, o uso de medicação, historial familiar, estilo de vida (incluindo rotina alimentar, de atividade física e fatores reprodutivos das mulheres).

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