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E depois dos abusos sexuais: os impactos, as cicatrizes e as consequências

Um testemunho anónimo de uma vítima de abusos sexuais que quer deixar uma mensagem a quem passa ou passou pelo mesmo.

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É inevitável falar-se em abusos sexuais sem falarmos dos impactos, das cicatrizes e das consequências que ficam em nós, que perduram com as semanas, os meses e os anos. Há em nós um sentimento quase perpétuo de não conseguir avançar. Cada experiência vivida é diferente de pessoa para pessoa, mas os medos, os bloqueios, as frustrações… esses ficam em todos nós.

 

Em alguns a reação ao toque é patente e permanente, aquilo mexe connosco, leva-nos a reviver tudo novamente. Para outros as relações sexuais são um desafio megalómano, quase sempre com o “fantasma” colado a nós. Para outros as conquistas nunca parecem conquistas, quase sempre são “nunca fiz o suficiente”, porque, sim, a nossa autoestima foi arruinada. Ainda para outros, mesmo que já bastante resolvidos e até com bastantes recursos, recursos esses que se falaram no artigo “Culpados ou Vítimas? Como “arrumar” as “gavetas” depois dos abusos sexuais?”  ficam sempre em nós marcas e sentimentos de frustração.

 

Permitir-se ser feliz? Para alguns é quase impossível. Não é que sejamos uns coitadinhos, mas há cicatrizes internas e externas que te bloqueiam de ser feliz, ou pelo menos de aproveitar melhor a felicidade. Alguns sofreram abusos anos e anos, desde tenra idade e isso molda qualquer – pessoa nós somos “esponjas”. Define a sexualidade, define gestos, define reações, define mentalidades, define como se vê o presente, o futuro e sobretudo destrói qualquer autoestima e faz-nos viver sem chão.

 

A tomada de consciência é algo muito complexo e varia de pessoa para pessoa, não há matemática nestas coisas, estamos a falar de emoções e vidas. E, por vezes, não queremos enfrentar a dura realidade.   Mas enfrentar a dura realidade é o que permite avançar, resolver as coisas (ou pelo menos algumas), ganhar autoestima, deixar que os outros cuidem de nós, deixar que o amor, a amizade, o carinho, os abraços, os beijos, os afetos, as pessoas, os seus olhares, as paisagens, os cafés, as viagens, as conquistas, as quedas, a espiritualidade e tudo o que há de bom nesta vida passem a fazer parte de nós!

 

Sim, as consequências ficam, as cicatrizes e os impactos também… Mas isso não é o fim de nada, pelo contrário, é o início. As consequências, impactos e cicatrizes, se nós permitirmos, farão de nós pessoas mais sensíveis, mais permeáveis a fazer o bem aos outros, mais atentas a situações como as que vivemos para depois agirmos, pessoas com mérito e de cabeça levantada. Nunca devemos permitir que tudo o que de mau vivemos nos faça ser amargos, duros, revoltados, intransigentes e críticos.

 

Não se esqueça disto: “Never let hard lessons harden your heart”  (Nunca deixe que duras lições endureçam o seu coração).

 

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