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E assim nasceu o perfume…

Foi há mais de 300 anos que um perfumista italiano inventou o perfume moderno, uma fragrância suave à base de álcool que permite combinar vários aromas e perdura na pele. A ‘água de Colónia’ desde logo conquistou reis e rainhas, príncipes e princesas, e ainda hoje se produz com a mesma receita na mesma fábrica, em Colónia.

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Sabia que a ‘Eau de Cologne’ foi inventada em Colónia, na Alemanha, e não em Paris ou noutra cidade francesa? Tudo começou no início do século XVIII, mais concretamente em 1709, quando o italiano Giovanni Farina (1685-1766), emigrado nesta cidade, tornou Colónia internacionalmente conhecida dando o seu nome à sua criação.

 

E que invenção foi essa? Ao juntar álcool a essências naturais fez com que as fragrâncias perdurassem mais tempo na pele e tornou ainda possível juntar vários aromas, permitindo um leque infinito de conjugações. Et voilá, estava criado o perfume moderno, o primeiro à base de álcool.

 

«O meu perfume relembra-me as manhãs de primavera em Itália depois da chuva. Laranjas, toranjas, limões, bergamota, cedro, limas, flores e ervas aromáticas. Este perfume refresca-me, fortalece o meu espírito e reaviva a minha fantasia» – foi assim que Farina descreveu a sua invenção numa carta a um amigo, revela o Museu Farina, localizado em Colónia, na Alemanha.

 

E se está a questionar a razão pela qual este italiano radicado na Alemanha deu um nome francês à sua invenção, a explicação é porque, na altura, o idioma usado no comércio e falado pelos nobres era o francês. E este era um produto acessível apenas a quem tinha muito dinheiro. Conta o museu que Napoleão usava um frasco por dia, e cada um custava seis meses de ordenado médio. Farina fornecia todas as cortes europeias, incluindo a portuguesa. E relata a história do museu que dois dos seus mais fieis clientes eram Dom João VI, rei de Portugal, e Dom Pedro I, imperador do Brasil.

 

Em cada frasco de perfume vendido, a Casa Farina entrega um folheto onde explica brevemente a sua história, para que perpetue no tempo. E lá vem uma longa lista de clientes famosos, desde as casas reais aos mais nobres e influentes artistas de várias épocas. Também Mozart, Voltaire, Marlene Dietrich, inúmeros príncipes e princesas, reis e rainhas, e até já no século XX a princesa Diana e Bill Clinton se renderam aos aromas centenários da mais antiga fábrica de perfumes do mundo.

 

Mais antiga e mais exclusiva. No século XVIII, a tulipa vermelha crescia como um bem precioso nos jardins dos palácios da Turquia. Os holandeses – país das tulipas – pagavam uma fortuna por um bolbo desta flor. Farina queria dar ao seu perfume um símbolo de riqueza e exclusividade, e é essa a razão que explica o símbolo da marca.

 

Já agora, sabia que o protagonista do livro ‘O Perfume’, do alemão Patrick Süskind, o perfumista Jean-Baptiste Grenouille, foi inspirado no irmão do italiano Farina? O autor foi autorizado a consultar o arquivo da família, que engloba antigos folhetos, jornais e mais de um milhão de cartas.

 

A invenção e sucesso de Farina logo despertou o interesse de muitos. E como no século XVIII ainda não existiam direitos de autor, portanto, muitas pessoas começaram a copiar o perfume, revela o Museu Farina. Hoje em dia, a oitava geração da família Farina ainda produz o mesmo perfume.

 

A antiga fábrica e também agora Museu do Perfume – Casa Farina ainda fica em frente à camara municipal da cidade. E nesta está uma estátua de Farina numa fachada do edifício como agradecimento da população aos seus feitos pela cidade. Repare bem na foto, na galeria acima – é o que tem um frasco de perfume na mão, claro.

 

 

 

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