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Drunkorexia: a fuga das refeições para o álcool

É pelas alturas em que mais se quer emagrecer que também mais se disseminam dietas patológicas. Esta patologia afeta tanto homens como mulheres e faz com que os doentes consumam bebidas alcoólicas ao longo do dia, com o objetivo de diminuir a fome, causar náuseas, enjoos e vómitos.

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Drunkorexia é um termo não-médico e refere-se à ingestão continuada de bebidas alcoólicas em detrimento de alimentos para evitar a ingestão de calorias com o intuito de emagrecer. O distúrbio também pode ser designado de anorexia alcoólica. Este comportamento resulta frequentemente do medo de engordar e é mais evidente nas mulheres (30%) entre os 18 e os 23 anos de idade, apesar de se verificar em ambos os sexos.

 

«As bebidas alcoólicas, quando em excesso, são depressoras do sistema nervoso central fazendo com que a pessoa consiga estar mais animada, mais eufórica, diminuindo desta forma a sua angústia por estar insatisfeito com a sua própria aparência», explica Nuno Cristiano Sousa, psicólogo e psicoterapeuta.

 

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A culpa dos distúrbios alimentares é normalmente apontada aos padrões criados em sociedade pela indústria da moda e pelos meios de comunicação. As pessoas que sofrem deste distúrbio têm  tendência para calcular quantas calorias estão nas bebidas alcoólicas para saberem o que podem e não podem consumir. Em casos extremos, este tipo de conduta pode estar relacionado com outros distúrbios alimentares, como a bulimia ou a anorexia. Nestes casos, o álcool é usado para tornar o vómito menos doloroso ou para ajudar a controlar as ansiedades alimentares.

 

Apesar de o álcool não conter gordura, este é embalado com calorias. O consumo desmesurado destas substâncias, num curto espaço de tempo (‘binge drinking’), torna possível ingerir mais calorias do que uma refeição dita normal, isto é, com os valores nutricionais recomendados pelos especialistas da área. «A substituição dos alimentos por álcool providencia um balanço energético negativo do metabolismo, assim como a diminuição do aporte dos principais nutrientes para o bom funcionamento do organismo. Estas situações promovem, então, o emagrecimento», afirma Cristiano Sousa.

 

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Em Portugal, o termo ainda não está disseminado, mas nos Estados Unidos e em Inglaterra já começa a veicular. O Serviço Nacional de Saúde britânico, por exemplo, recomenda não exceder as 14 unidades durante uma semana (para homens e mulheres), valores que muitas vezes são quase atingidos pelos ‘binge drinkers’. Este valor pode ser atingido ao beber seis copos de vinho ou cerca de seis canecas de cerveja. Segundo a calculadora britânica ‘Drink Aware’, beber duas cervejas de 33cl significa ingerir 284 calorias, o equivalente a um hambúrguer, e são precisos 28 minutos de corrida para perder estas mesmas calorias.

 

A Organização Mundial de Saúde estipulou como padrão recomendado o consumo de 60 ou mais gramas (cerca de 5-6 doses) de álcool puro numa única ocasião, uma vez por mês. Uma dose padrão contém aproximadamente de 10 g a 12 g de álcool puro, o equivalente a uma lata de cerveja (330 ml), a uma dose de destilados (30 ml) ou ainda a um copo de vinho (100 ml). As bebidas alcoólicas contêm calorias vazias e, apesar de fornecerem energia, não fornecem nutrientes, o que pode resultar na carência de elementos essenciais ao funcionamento do corpo.

 

Este fenómeno, maioritariamente presente em ambientes universitários, tem repercussões várias na saúde. Um estudo realizado pelo investigador Dipali Rinker, da Universidade de Houston, Texas (EUA), conclui que 8 a 10 estudantes universitários, muitos dos quais homens, viram-se envolvidos em, pelo menos, um comportamento relacionado com esta patologia.

 

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Esta equação – consumo excessivo de álcool e jejum num curto espaço de tempo – resulta no estado de embriaguez, o que pode ser inofensivo, mas a sua repetição pode ter consequências a longo prazo. Uma ingestão excessiva e prolongada de bebidas alcoólicas pode irritar a mucosa estomacal, causando uma gastrite. Esta, por sua vez, prova imenso desconforto, uma vez que causa ardência, refluxo, dores de cabeça, etc. Podem ocorrer consequências mais graves como «o aumento da pressão arterial, problemas no coração, fígado e pâncreas, hepatite e cirrose. Distúrbios do sistema nervoso, como distrações e tremores, também podem fazer parte do quadro», esclarece o psicólogo.

 

O opinião dos especialistas é expectável: cortar na alimentação e enveredar pelo álcool para conseguir perder não é de todo a solução ideal. O melhor será aconselhar-se junto de um nutricionista ou de um médico de família para encontrar o melhor plano alimentar para si. Todos os corpos são diferentes e pedem e reagem aos alimentos de diferentes formas.

 

 

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