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Dor crónica afeta cerca de 35% dos portugueses adultos

Lombalgia é a patologia mais frequente entre os doentes com dor crónica, sendo que a maioria dos indivíduos caracteriza a sua dor como «moderada a grave», revelam os primeiros dados do estudo “Impacto da Dor Crónica nos Cuidados de Saúde Primários” ainda a decorrer no país. A população feminina é a mais afetada.

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Dados preliminares do estudo “Impacto da Dor Crónica nos Cuidados de Saúde Primários” revelam que, em Portugal, cerca de 34,6% da população adulta tem dor crónica. O estudo pioneiro, realizado por profissionais de saúde, e que decorre em contexto de consulta nas Unidades de Saúde Familiar (USF) de norte a sul do país, pretende avaliar a prevalência da dor crónica nos cuidados de saúde primários.

 

Os dados foram divulgados no âmbito do Fórum Futuro 2018, uma das maiores reuniões sobre a temática da dor em Portugal, que reuniu cerca de 300 especialistas nacionais e internacionais na área da dor, revela a Grünenthal, promotor do estudo que está a decorrer desde setembro de 2017.

 

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Os números apresentados, e que se referem à população acompanhada nos cuidados de saúde primários, revelam que a prevalência da dor crónica nas mulheres é de 75,7%, face aos 24,3% na população masculina, e verifica-se, sobretudo, em indivíduos com idades entre os 65 e os 74 anos (27,9%). A patologia mais frequente entre os doentes avaliados é a lombalgia, seguindo-se de dor nos membros inferiores e nos membros superiores – ombros e pescoço.

 

No que respeita à intensidade da dor, a maioria dos indivíduos define a sua dor como moderada a grave (5 a 6 pontos na escala numérica). Os doentes apresentam, em média, oito anos de duração de sintomas e um diagnóstico efetivo de dor com cerca de cinco anos de evolução.

 

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«A dor crónica é altamente incapacitante e provoca grande impacto na qualidade de vida do doente, no entanto, continua a ser bastante desvalorizada pela população, e a causar encargos sociais e económicos avultados», refere Filipe Antunes, assistente hospitalar de Medicina Física e Reabilitação no Hospital de Braga e coordenador do estudo.

 

O especialista, que integra também a Unidade de Dor deste hospital, acrescenta: «Os dados já recolhidos revelam-nos também a necessidade de continuar a apostar na formação médica na área da dor, sobretudo, nos cuidados de saúde primários, já que estes representam o primeiro contacto entre o doente e o médico e são o ponto de partida para a avaliação, diagnóstico e tratamento efetivo da dor crónica».

 

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A dor crónica continua a representar encargos sociais e económicos muito significativos, sobretudo a nível do absentismo laboral, sendo que 48,6% dos indivíduos estão reformados e 15% encontram-se em situação de baixa médica devido à incapacidade provocada pela dor.

 

Este estudo observacional, multicêntrico, ainda ativo e em curso, incide nas Administrações Regionais de Saúde (ARS) do Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve. Até ao momento, foram monitorizados 37 centros de recrutamento, com cerca de 4700 consultas e 1600 doentes com dor crónica, dos quais foram recrutados 334 para caracterização.

 

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