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Dois terços das mães criticadas pelas decisões parentais

A maioria das mães de filhos com menos de cinco anos são criticadas sobre temas que vão desde a amamentação à disciplina, e as críticas chegam sobretudo de membros da própria família, revela um estudo realizado nos Estados Unidos.

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A atriz Reese Witherspoon foi recentemente criticada por dar aos seus filhos pães com canela ao pequeno-almoço; as críticas caíram em cima da modelo Coco Rocha por dar fórmula ao seu bebé; e a cantora Jessica Simpson foi alvo de comentários furiosos por vestir a sua filha de sereia.

 

Mas este não é um problema apenas das mães famosas mais expostas, trata-se de uma prática comum que afeta dois terços das mães com filhos menores de cinco anos, segundo um novo estudo realizado pelo C.S. Mott Children’s Hospital, integrado na Universidade de Michigan, EUA.

 

Seis em cada 10 mães de crianças com idades entre os 0 e os cinco anos dizem que foram criticadas por questões parentais, em todas as esferas, desde as decisões relacionadas com a amamentação às formas de disciplina praticadas. O relatório baseia-se em respostas de uma amostra nacional de 475 mães com pelo menos uma criança com idade entre os 0 e os cinco anos.

 

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«As nossas descobertas mostram as tensões que as mães enfrentam quando o conselho de algum parente leva a mais stress, pois faz com que se sintam mais criticadas do que apoiadas. As mães podem ficar sobrecarregadas com tantos pontos de vista sobre a melhor forma de educar uma criança. Os conselhos não solicitados – especialmente das pessoas mais próximas do seu filho – podem ser percebidos como não estando a fazer um bom trabalho como mãe. E isso pode ser prejudicial», explica Sarah Clark, coautora da pesquisa.

 

Porém, ao contrário dos pais famosos que recebem explosões anónimas nas redes sociais, a maioria das mães parece sentir que suas maiores críticas chegam de dentro das suas próprias famílias. Os críticos mais frequentes? Os seus próprios pais, segundo 37% das inquiridas. Segue-se o cônjuge (36%) e outros familiares (31%). As mães relatam muito menos críticas provenientes de amigos, de outras mães que encontram em público, de comentários nas redes sociais e do médico ou pediatra.

 

A disciplina é o tema mais frequente das críticas, relatado por 70% das mães que se sentiram envergonhadas em algum momento. Outras áreas de preocupação são a dieta e a nutrição (52%), o sono (46 %), a amamentação vs biberão (39%), a segurança (20%) e os cuidados diários (16%).

 

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Novas informações sobre saúde e segurança infantil também desafiam, muitas vezes, as práticas de parentalidade, por serem diferentes das que outros membros da família utilizaram ou com as quais cresceram. «Os membros da família devem respeitar que as mães de crianças pequenas possam ter informações mais atualizadas sobre saúde e segurança infantil», diz Clark, pois o que se costumava fazer «pode ​​não ser mais o melhor conselho».

 

Embora 42% das mães digam que as críticas as façam sentirem-se inseguras sobre as suas escolhas parentais, também as incentivam a serem mais pró-ativas. Muitas mães dizem que respondem a estas críticas consultando um especialista para pedir conselhos. E em alguns casos estas novas informações levam a mudança aos seus próprios pais e outras validam a decisão tomada. «Isto indica que a maioria das mães vê o provedor de cuidados de saúde dos seus filhos como uma fonte confiável para dar informações e conselhos precisos, e não como um crítico», explica a investigadora.

 

62% das mães dizem que recebem muitos conselhos inúteis de outras pessoas, enquanto 56% acreditam que as mães são muito criticadas e não recebem crédito suficiente pela educação que dão aos seus filhos. Metade das entrevistadas neste estudo disse que simplesmente evita pessoas que são muito críticas. «É lamentável quando uma mãe se sente criticada ao ponto de limitar o tempo que ela e o seu filho passam com um membro da família ou amigo. Para se proteger contra essa situação, os conselhos para as mães de crianças pequenas devem ser administrados com empatia e encorajamento», finaliza a investigadora.

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