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Dieta sem glúten não é para todos e moda pode prejudicar verdadeiros celíacos, alertam médicos

Cada vez mais se encontram opções de comida ‘sem glúten’ nas prateleiras dos supermercados e nos menus de restaurantes. Mas o que significa ‘sem glúten’ e por que esses produtos se tornaram tão populares?

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Fazer um regime alimentar sem glúten está a tornar-se muito popular entre os praticantes de uma vida saudável, mas médicos do Centro Médico da Universidade de Penn State, EUA, alertam para o perigo desta ‘moda’, pois não é recomendável para todas as pessoas, além de que esta popularização pode até ser perigosa para quem sofre da doença: pode haver contágio na preparação dos alimentos quando não é feita corretamente.

 

O glúten é um tipo de proteína que, juntamente com o amido, existe em muitos tipos de cereais, como o centeio, o trigo e a cevada. Esta proteína representa mais da metade da proteína total existente nestes cereais e ajuda-os a tornarem-se elásticos quando amassados. Mas como o glúten é uma proteína, os sistemas imunitários de pessoas com problemas digestivos podem reagir e resultar em condições como a doença celíaca ou sensibilidade ao glúten.

 

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«A doença celíaca primeiro causa inflamação no intestino delgado, tornando difícil absorver os nutrientes dos alimentos», começa por explicar Christopher Heron, médico de família no Centro Médico da Universidade de Penn State. Heron conta que a doença é difícil de diagnosticar porque «estes pacientes normalmente perdem peso, sofrem de diarreia e indigestão, o que não são sintomas específicos de uma doença».

 

A doença é normalmente diagnosticada no início da idade adulta, tipicamente em caucasianos do norte da Europa. Estima-se que um por cento da população é afetada por doença celíaca, embora poucas dessas pessoas sejam formalmente diagnosticadas através de testes médicos. Em adultos, a doença pode resultar em baixos níveis de ferro, baixa estatura e ossos fracos. Em cerca de 10 por cento dos pacientes, também pode ocorrer uma erupção com comichão na parte de trás dos braços, tronco, pescoço ou couro cabeludo.

 

Com a popularidade dos alimentos sem glúten, muitos restaurantes tentam capitalizar essa tendência ao oferecer tais opções nos seus menus. Mas esses itens nem sempre são sem glúten, alerta Lauren Schneekloth, outra médica deste centro de saúde universitário: «Os restaurantes podem não perceber completamente quais ingredientes são sem glúten, ou podem preparar alimentos em superfícies compartilhadas ou com utensílios compartilhados. As massas sem glúten podem ser servidas com um molho engrossado com farinha de trigo, e os anéis de cebola isentos de glúten podem compartilhar alimentos contendo glúten». Infelizmente, para os que estão em risco, pode não ser necessário muito para provocar uma resposta inflamatória. «Embora a intenção possa ser nobre, é difícil manter esta proteína comum fora de tudo o que pode ser cozinhado», comenta Schneekloth.

 

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Muitas pessoas acreditam que fazer uma dieta sem glúten pode ajudar na perda de peso ou a contrariar problemas de indigestão ou fadiga. Mas, em última análise, as pessoas que não têm uma condição que exija a retirada de glúten não deverão uma dieta 100% sem glúten. «Os grãos encontrados nos produtos de trigo são essenciais para a saúde em geral. Eles fornecem nutrientes que não se encontram na maioria dos alimentos sem glúten, e é por isso que muitas pessoas com doença celíaca precisam de tomar multivitamínicos», explica Heron.

 

Na realidade, a maioria das pessoas consome muito mais alimentos feitos com farinha branca do que os nossos corpos exigem. «Ao invés de procurarem alimentos sem glúten, as pessoas que não sofrem de uma doença relacionada com o glúten devem optar por uma dieta mais saudável», recomenda Schneekloth.

 

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