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Dieta: jejum intermitente com consequências negativas a longo prazo

Algumas dietas propõem o jejum intercalado como forma de perder peso, mas uma nova pesquisa realizada no Brasil vem demonstrar que a prática pode levar ao desenvolvimento de doenças. A diminuição da resposta à insulina foi um dos efeitos negativos observado no protocolo com 24 horas de jejum e 24 de alimentação.

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Um novo estudo realizado pelo Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo, Brasil, indica que não comer durante alguns períodos do tempo com o objetivo de perder peso aumenta o risco de desenvolver algumas doenças, nomeadamente a diabetes.

 

A pesquisa constatou efeitos negativos no organismo de ratos tratados com um protocolo de jejum intermitente, ou seja, em que os animais ficaram 24 horas sem comer e 24 horas com alimentação à vontade, por um período de três meses.

 

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No final da experiência, apesar de os animais que seguiram este protocolo apresentarem um peso menor em comparação com o grupo de controlo, os pesquisadores observaram vários efeitos negativos que indicam aumento de risco para diabete tipo 2, divulga a universidade.

 

«Os efeitos negativos constatados foram: aumento dos radicais livres e da secreção de insulina no pâncreas (um sintoma clássico da resistência à insulina), diminuição da ilhota pancreática (estrutura celular que segrega a insulina), diminuição periférica da resposta à insulina, grande aumento da dimensão do estômago, redução da massa magra, aumento da quantidade de gordura geral (inclusive a visceral), além de prejuízos no crescimentos dos animais», conta a autora do estudo, a bióloga Ana Cláudia Munhoz Bonassa.

 

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Em média, os animais alimentaram-se menos quando comparados com o grupo de controlo. Porém, no dia em que eram alimentados, principalmente na primeira hora, comiam excessivamente: cerca de 65% a mais. O peso final dos ratos do grupo de controlo foi de 264 gramas e no grupo tratado o peso médio foi de 215 gramas. Os resultados da pesquisa foram apresentados, no Congresso Europeu de Endocrinologia, que decorreu no final de maio em Barcelona, Espanha.

 

A bióloga conta que, atualmente, existem vários protocolos de jejum intermitente sendo usados por muitas pessoas como forma de manter e perder peso. Nesses protocolos, há diferentes tipos de período de intercalação de jejum com outros de alimentação. Pode-se, por exemplo, comer num dia e não comer no outro, ou fazer jejum apenas em dois dias na semana e alimentar-se normalmente nos outros (conhecido como 5 x 2). E a duração do jejum também pode variar: 12, 14, 16 ou 18 horas, etc. Ou seja, há uma infinidade de modelos.

 

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Também há vários fatores que podem interferir nos resultados. «Atualmente não há consenso entre a comunidade científica sobre o jejum intermitente. Há estudos em humanos e em animais mostrando benefícios, como efeitos neuroprotetores, enquanto outras pesquisas mostram exatamente o contrário: efeitos neurotóxicos. Por isso, são necessários mais estudos aleatórios e de longo prazo, principalmente em humanos», alerta a investigadora.

 

Para a pesquisadora, as descobertas servem de alerta para possíveis riscos da dieta de jejum intermitente no modelo estudado. «Outros estudos ainda são necessários, principalmente em humanos e a longo prazo, para entender melhor os resultados que obtivemos», acrescenta Ana Cláudia.

 

 

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